AGÊNCIA UVA BARRA ASSISTIU: “Vende-se esta moto”

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O que você faria se soubesse que será pai? As difíceis decisões tomadas em situações como essa são abordadas em “Vende-se esta moto”. Na trama, Xeu (João Pedro Zappa), que terá um filho com Lidiane (Mariana Cortines), se vê pressionado a vender sua moto para ter dinheiro suficiente para começar a nova família. No meio do caminho, a presença do primo Cadu (Vinicius de Oliveira) vai mudar os rumos da relação.
A narrativa poética faz parte do enredo do longa. As primeiras cenas são apresentadas por versos que falam das características do amor, enquanto mostram os protagonistas por uma locação que estará presente na história, a cidade do Rio de Janeiro.

O roteiro, simples mas eficiente, nos mantém íntimos não só do casal, mas do meio em que eles vivem. Fugindo um pouco do clichê de Cidade Maravilhosa x cidade do tiroteio, o script aborda as dificuldades de se viver no Rio, das desigualdades sociais e da falta de emprego, mas sem apelar para a violência. Também apresenta a realidade de duas comunidades, o Batan e a Maré, de maneira mais justa. Os versos narrados juntos às cenas aéreas do centro do Rio ajudam a mostrar a relação de “amor e ódio” que os moradores vivem todos os dias.

A direção, à cargo de Marcus Faustini, tem limitações técnicas, com algumas tremidas de câmera e cortes econômicos, mas se sai bem na maioria das vezes – principalmente se levarmos em conta o caráter independente da produção. A decisão de mesclar cinema e poesia funciona no longa, ao mesmo tempo em que seus 80 minutos parecem ser suficiente para passar a sua mensagem.

Já nas atuações, poucos destaques. João Pedro Zappa vive Xeu, que é o que possui maior tem tempo de tela – o que talvez seja a razão deste filme fluir. Ele tem uma interpretação leve, digna de um personagem simples, de uma pessoa comum, e acaba sendo um agrado frente a Cadu (Vinicius de Oliveira) e Lidiane (Mariana Cortines). Ambos até atuam de maneira convincente, mas também são personagens imprevisíveis e complexos, precisando de mais tempo para explorar suas histórias.

O grande destaque fica por conta de Silvio Guindane, um personagem sem nome, com vestes semelhantes a de carnaval, uma “encarnação” de um “demônio da Lapa”, uma personificação de nossos sentimentos mais brutais (como o amor) e ao mesmo tempo do sistema desigual em que vivemos. Uma atuação de impacto, com trejeitos e risadas quase maléficas, que mudam o rumo da história.

Apesar de simples o filme agrada, além de ser um poucos exemplos nacionais a explorarem vertentes poéticas, o que faz ser justa a exibição na Mostra Novos Rumos, no Festival do Rio de 2017. Afinal, tudo indica ser o início de uma nova geração para o cinema brasileiro, em que se mostra a integração de sociedade e cidade, dessa vez incluindo as classes mais baixas.

Lucas Motta – 7º período

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