AGÊNCIA UVA BARRA ASSISTIU: “Histórias que nosso cinema (não) contava”

histórias que nosso cinema não contava

Inteligente. Irônico. Sagaz. No longa “ Histórias que nosso cinema (não) contava”, a diretora Fernanda Pessoa reúne em uma coletânea de filmes da década de 70 rotulados como “pornochanchada”, um objetivo em comum: contar a história do Brasil. Com foco na questão da ditadura militar, o documentário vai tecendo, em uma linha do tempo, fases importantes do país através do olhar da censura.

Para compor este enredo, a obra começa rapidamente no descobrimento do Brasil até o ano de 1970. Para dar vida a este cenário, filmes como “Palácio de Vênus”, “Elas são do baralho” e “A Super Fêmea” fazem parte da narrativa.  Muito mais que uma “comédia barata” sobre um pornô de antigamente, Fernanda Pessoa procura trazer uma releitura dessas filmagens e instigar o telespectador a uma reflexão sobre os acontecimentos da época. E chegar a conclusão que até os rotulados como apenas um pornô social tinham as falas censuradas ao se tentar fazer uma crítica sobre a situação que as pessoas passavam por falta de liberdade de expressão.

Reforma democrática, comunismo, capitalismo, milagre econômico e machismo são um dos temas observados ao longo do desenrolar de cada cena. O documentário vai conectar todas essas diferentes histórias em uma só e abre as portas para o humor sarcástico ao citar frases de efeitos de uma sociedade preconceituosa e patriarcal. Seja em um camponês que sai para a grande São Paulo para abordar o êxodo rural ou as prostitutas aderindo a greve para garantir mais direitos, as falas parecem se encaixar do começo até o fim.

Os diretores de cada filme também caracterizam os protagonistas cheios de estereótipos para dar mais vivacidade aos personagens de cada conto. Um exemplo nítido é o papel da mulher. Impura, selvagem e maldosa. Enquanto o homem que é visto como puro e só pensa no progresso da nação por meio do trabalho capaz de edificar, o gênero feminino é retratado como um objeto, mostrando claramente um pensamento machista e ultrapassado. O documentário traz ingredientes como sarcasmo, ironia e pode levar o telespectador desde risadas até um debate pós- reflexão com os amigos em uma mesa de bar.

Isabelle Amancio – 6° período.

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