A arte permite a loucura

Documentário exibido durante a XIV Luta Antimanicomial da UVA mostra como a arte e o imaginário se cruzam

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Foto: Graziela Andrade

Um mundo paralelo em que realidade e delírio se misturam. Com base nesse universo, alunos de Psicologia da Universidade Veiga de Almeida (UVA), campus Barra, promoveram, nesta quarta-feira (23/05), a XIV Luta Antimanicomial, em referência à causa nacional celebrada no último dia 18. A mesa mediada pela aluna Alexandra Marques recebeu como convidadas as Professoras Aline Drummond e Glória Sadala, a Psicanalista e membro do Campo Lacaniano Sheila Abramovitch e a Roteirista e Diretora do documentário “Eu Preciso destas Palavras Escritas” Milena Manfredini.

O curta metragem, que retrata a vida e obra do Artista Plástico Arthur Bispo do Rosário, foi a base para a discussão inicial. O Bispo, visto por uns como louco e por outros como gênio da arte brasileira, foi diagnosticado com esquizofrenia e, por isso, viveu a maior parte da vida dentro de uma instituição psiquiátrica. Para a Professora Aline Drummond, o artista mostra através das obras que há um sujeito independente da condição mental. “O Bispo desconstrói a doença e cria um artista que bordava, inventava e contava a própria história através da arte” comenta.

A desconstrução social é um fator principal na luta antimanicomial, pois desde cedo a sociedade impõe o estigma do louco, psicótico e tende a isolar o indivíduo. E é essa imagem que a aluna e também uma das organizadoras do evento Alexandra Marques busca quebrar. “A vida inteira a gente aprendeu que louco tem que estar preso em manicômio porque é agressivo e pode atacar, mas na realidade não é bem assim. Eles são muito inteligentes e possuem diversas habilidades”, afirma.

Apesar de ter a obra reconhecida mundialmente, o Bispo do Rosário é pouco conhecido no  Brasil devido ao preconceito existente em torno da esquizofrenia. Impressionada com a arte dele, a Professora Glória Sadala reconhece a importância de todo artista. “O Bispo nos ensina a combinação do simbólico com o real e mostra que não deve ser tratado como um objeto de observação”, ressalta. Embora o artista tenha vivido a parte da sociedade um bom tempo, a Psicanalista Sheila Abramovitch identificou nos delírios religiosos que o Bispo possuía a arte de reconstruir um mundo diferente. “Ele nos ensinou muito nessa relação psicose e arte” declara.

Motivada por essa história de vida, a professora Aline leva os alunos de Psicologia periodicamente para visitar o Museu Bispo do Rosário, localizado na Colônia Juliano Moreira, local onde ficou internado por mais de 50 anos, para que possam ver de perto a obra. “Poder ver no documentário a representação dos objetos que vi durante as visitas, é incrível”, conta Thiago Abreu, estudante de Psicologia.

 A diretora do documentário, que teve o primeiro contato com as obras do artista ainda adolescente na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, enfatiza sobre a importância da exibição desse tipo de curta metragem nas universidades “Assistir filmes independentes em ambientes acadêmicos é importante para formação de qualquer estudante”, conclui Milena.

Graziela Andrade – 4° Período | Jornalismo

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