A flexibilização do acesso à profissão de jornalista no Brasil, após decisão do Supremo Tribunal Federal, em 2009, que extinguiu a obrigatoriedade do diploma, ampliou o debate sobre os limites entre liberdade de expressão e exercício profissional. Em um contexto marcado pela circulação de desinformação e pela popularização das redes sociais, especialistas apontam que a formação acadêmica segue sendo um diferencial importante para garantir a qualidade e a credibilidade da informação.

Para a jornalista e professora Renata Feital, o principal desafio atual está na facilidade com que conteúdos falsos são disseminados e absorvidos pelo público. “Uma notícia falsa, quando muito bem tratada, é facilmente incorporada pelas pessoas”, afirma. Segundo ela, o problema se torna ainda mais grave quando a desinformação parte de veículos tradicionais, que historicamente construíram uma relação de confiança com a audiência. “É muito mais sério quando um meio com credibilidade propaga uma informação não verificada. Isso compromete diretamente a confiança do público”, diz.

A professora também alerta para o aumento da circulação de conteúdos enganosos, especialmente em períodos eleitorais, quando cresce a disputa por narrativas e a disseminação de informações não checadas. Nesse cenário, o papel do jornalista se torna ainda mais relevante. “Os meios de comunicação têm a obrigação de oferecer uma informação fidedigna. Não é o mesmo que um influenciador digital”, destaca.

Embora o diploma não seja garantia de qualidade, ele oferece uma base técnica e ética fundamental para o exercício da profissão. Durante a formação acadêmica, os estudantes desenvolvem habilidades como apuração rigorosa, checagem de fatos, escuta de diferentes fontes e responsabilidade na divulgação das informações. “O jornalista precisa entender a responsabilidade social que tem. Ele não pode divulgar uma informação sem verificar”, afirma Feital.

De acordo com a docente, o jornalismo exerce uma função essencial na sociedade ao atuar como mediador entre os fatos e a população, além de contribuir para a fiscalização do poder público. “Essa mediação é fundamental para a democracia. A gente precisa de meios de comunicação comprometidos com o interesse público”, explica.

A disseminação de fake news, no entanto, representa um dos principais desafios para a profissão na atualidade. Segundo Feital, a credibilidade do jornalista pode ser rapidamente comprometida pela divulgação de conteúdos falsos ou não verificados. “Você deixa de ser uma fonte segura. O jornalista precisa ir a campo, checar se a informação é verdadeira e verificar tudo antes de publicar”, afirma. Ela também ressalta que o avanço tecnológico tem dificultado a distinção entre o que é real e o que é manipulado. “Hoje, a tecnologia faz com que as pessoas acreditem em algo que não é real, e isso torna mais difícil desconstruir a mentira”, diz.

Outro ponto destacado pela professora é a diferença entre o trabalho jornalístico e a produção de conteúdo nas redes sociais. Para ela, o jornalismo não deve ser guiado apenas por engajamento ou interesses comerciais. “O jornalista não está ali para influenciar, mas para informar. Existe um compromisso com a verdade e com o público”, afirma.

Diante desse cenário, a defesa da importância do diploma se relaciona diretamente com a necessidade de preparo técnico e responsabilidade ética. Sem essa base, não apenas a profissão é afetada, mas também a confiança da sociedade na informação. “Ser jornalista é uma coisa séria. Não é brincadeira. Sem preparo, a gente perde a credibilidade e compromete a própria função social do jornalismo”, conclui Renata Feital.

Duda Nicolich – 3º Período de Jornalismo

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