Valorização do cacau no mercado internacional pressiona preços no Brasil e leva consumidores a buscarem alternativas mais baratas
A Páscoa de 2026 será marcada por preços mais altos dos produtos de chocolate no Brasil, pressionados pela valorização do cacau no mercado internacional.
Países da África Ocidental, como Costa do Marfim e Gana, responsáveis por cerca de 60% da produção global, enfrentaram problemas climáticos associados ao fenômeno El Niño, além de doenças nas lavouras, o que reduziu a oferta da matéria-prima.
Com a restrição na produção, o preço do cacau subiu no exterior e o impacto foi repassado ao consumidor final. No Brasil, os chocolates registraram alta de aproximadamente 24,9% em relação ao mesmo período de 2025.
Segundo a economista Dirlene Silva, palestrante de educação financeira economia comportamental e inclusão econômica, o aumento segue a lógica da cadeia produtiva. “O cacau, que é a principal matéria-prima, ficou mais caro no mundo todo por causa de problemas climáticos. Quando o custo sobe na origem, ele é repassado ao longo de toda a cadeia”, afirmou.
Diante do aumento de custos, a indústria adotou estratégias para manter a competitividade. Entre elas, estão a substituição parcial do cacau por outros ingredientes, em produtos identificados como “cobertura sabor chocolate”, e a redução do tamanho das embalagens.
A prática, conhecida como “shrinkflation”, tem se intensificado no setor de alimentos. “É uma forma de lidar com custos mais altos sem elevar diretamente o preço final, mas exige atenção do consumidor”, disse a economista.
A tendência é de que os preços permaneçam pressionados no curto e médio prazo. Isso porque a recuperação da produção de cacau depende de fatores climáticos e do tempo necessário para maturação das lavouras. “Um cacaueiro leva anos para atingir plena produtividade, então o impacto não é revertido rapidamente”, explicou.
Com o encarecimento dos produtos, consumidores brasileiros têm adotado estratégias para reduzir gastos na data. Pesquisa da Globo Gente indica que parte da população pretende diminuir a quantidade de compras, optar por itens mais baratos ou substituir os tradicionais ovos de Páscoa por barras, caixas de bombom e alternativas caseiras.
Para especialistas, o cenário reflete tanto a perda de poder de compra quanto uma mudança de comportamento.“O consumo consciente muitas vezes nasce da necessidade. As pessoas passam a priorizar e comparar mais”, afirmou Dirlene Silva.
Mesmo com a alta de preços, a Páscoa segue como uma das principais datas para o varejo, ainda que marcada, em 2026, por um consumo mais restrito e estratégico.
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Duda Nicolich – 3º Período de Jornalismo





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