Especialistas destacam diagnóstico cuidadoso, tratamento interdisciplinar e papel da escola na socialização de pessoas com TEA
Celebrado em 2 de abril, o Dia Mundial de Conscientização do Autismo chama atenção para a importância do diagnóstico responsável, do tratamento adequado e da inclusão de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) na sociedade.
Apesar do consenso entre especialistas sobre os benefícios da intervenção precoce, o diagnóstico do autismo pode ser desafiador, especialmente em casos não típicos. Segundo profissionais da área, há situações em que a confirmação se torna mais evidente por volta dos seis anos de idade.
A psicanalista Sandra Altoori, com mais de 20 anos de atuação no Sistema Único de Saúde (SUS) e participação na implementação de Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSIs), ressalta que é preciso cautela. “A antecipação pode ajudar, mas a precipitação no diagnóstico também pode prejudicar o desenvolvimento da criança”, afirma.
Além do diagnóstico, especialistas destacam a importância de compreender o autismo para além de classificações. O transtorno apresenta diferentes níveis de suporte e manifestações individuais.
Entre os desafios mais recorrentes estão as dificuldades no laço social e o desconforto em ambientes com excesso de estímulos, como barulho intenso e luzes fortes. Ainda assim, há consenso de que a sociedade precisa avançar na forma de lidar com as diferenças.
O tratamento do TEA é, em geral, interdisciplinar, envolvendo áreas como psicologia, pedagogia e medicina. Diferentes abordagens podem ser utilizadas, desde linhas mais comportamentais, como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), até a psicanálise, que prioriza a escuta e a singularidade de cada indivíduo.
A pedagoga Mirian Nicolich destaca que o acompanhamento deve considerar as especificidades de cada criança. “O tratamento envolve diferentes áreas que dialogam entre si e constroem uma direção comum, respeitando as necessidades individuais”, explica.
No ambiente escolar, a inclusão é apontada como um dos principais pilares para o desenvolvimento social e cognitivo de crianças autistas. Especialistas reforçam que o processo vai além da matrícula e exige adaptação.
Entre as estratégias estão o uso de recursos visuais, metodologias estruturadas e adequação das atividades às capacidades de cada aluno. O objetivo é garantir um ambiente seguro e acolhedor.
A convivência entre os alunos também desempenha papel fundamental. No dia a dia escolar, a socialização acontece de forma gradual, promovendo aprendizado coletivo e desenvolvimento da empatia. “Atividades em grupo ajudam no sentimento de pertencimento e fortalecem os vínculos. Com o tempo, as crianças passam a compreender e respeitar as diferenças”, destaca a pedagoga.
O Dia Mundial de Conscientização do Autismo reforça, portanto, a necessidade de ampliar o debate sobre inclusão e acesso a tratamento adequado. Mais do que diagnóstico, especialistas apontam que o foco deve estar no desenvolvimento, na escuta e na garantia de direitos das pessoas com TEA.
Duda Nicolich – 3º Período de Jornalismo





Deixe um comentário