O esporte vai além da competição e dos resultados. Ele expressa paixões, constroi identidades, envolve questões políticas, movimentos de resistência e, acima de tudo, revela histórias. Contar essas histórias com precisão técnica e sensibilidade humana é a missão do jornalista esportivo. E o Congresso é o espaço ideal para promover esse debate. Realizado em uma universidade no Rio de Janeiro, o evento reuniu profissionais da área, estudantes, pesquisadores e representantes do mercado para discutir práticas, desafios, ética e os caminhos futuros da profissão.

O organizador do evento, Luiz Gontijo, relatou que a ideia do congresso partiu de sua esposa, que sugeriu a criação de algo que deixasse uma marca duradoura. “Você tem que conseguir levar isso para os alunos e não apenas compartilhar suas próprias experiências, mas possibilitar que eles ouçam profissionais diversos e tenham um panorama mais amplo da prática jornalística. Então, pensei em um congresso”, afirma Luiz. 

Ele também ressaltou que o congresso representa, em parte, um percurso pela sua trajetória, mas sobretudo uma oportunidade de aproximar o meio acadêmico do mercado de trabalho. Ao refletir sobre a proposta, Luiz comentou sobre as lacunas do ensino na área: “O aluno percebe que está se formando e ainda não se inseriu no mercado. Essa era uma deficiência que eu identificava no ensino de modo geral e decidi contribuir para preencher essa lacuna”, declarou.

A jornalista Karine Alves, apresentadora e repórter, compartilhou experiências dos seus 20 anos de carreira, destacando a cobertura da Copa do Catar como marca pessoal. “Cobri a seleção brasileira, e para mim isso foi surreal. Não conheci muito do Catar porque não houve tempo, mas naquele momento percebi: eu venci”, relatou Karine.

Ela também mencionou sua paixão pelas Olimpíadas, apesar dos desafios  para realizar a cobertura do evento. “É complicado pela quantidade de modalidades e pelo drama quando o Brasil é eliminado. Lembro que certa vez o jogo terminou por volta das duas da manhã, e nós aguardávamos, como em uma sala de espera, a decisão sobre quem continuaria ou não na competição”, comentou Karine, enfatizando a intensidade da cobertura jornalística.

Ao discorrer sobre a postura ética do jornalista esportivo, Karine destacou a necessidade de isenção.”Isso é muito importante falar. Porque, um exemplo: eu escolhi o jornalismo porque eu amo o esporte, sou Vasco. Bom, beleza, você gosta, você pode gostar, claro, óbvio. Mas na hora que você for trabalhar com isso, é o seu trabalho, não é vida pessoal, e muitos se frustram com isso. Muitos se frustram”, enfatiza Karine.

No painel sobre a presença feminina no jornalismo esportivo, mediado por Camila Augusta, participaram Denise Lilenbaum, Aline Pacheco, Martha Esteves e Danielle Esperon. As profissionais discutiram a importância da representatividade e compartilharam experiências, positivas e negativas, ressaltando os avanços obtidos, mas também a necessidade da luta contínua por equidade e voz em um meio historicamente dominado por homens.

Martha Esteves, professora e presidente da ACERJ (Associação de Cronistas Esportivos do Rio de Janeiro) destaca a importância da representatividade feminina, e afirma que, embora nos últimos anos as mulheres tenham tido mais espaço, ainda há progresso a ser feito. “Todas as áreas precisam de mais inclusão. Economia e política na minha época, até muito pouco tempo atrás, tinham editorias dominadas por homens. “Hoje não tem mais essa de ‘mulher só pode trabalhar na editoria de fofoca ou de moda.’, isso é uma idiotice, a mulher com talento e noção do que está falando pode trabalhar aonde ela quiser”, Afirma Martha.

Magna estudante de primeiro período da Unifacha como evento atingiu suas expectativas mesmo o jornalismo esportivo sendo a segunda opção, menciona que tudo se encaixa em uma boa apuração, mesmo sendo cansativo, mas o retorno é algo impagável,  ele informa qual palestra ele mais gostou. “Eu gostei muito da palestra da Karine Alves por que mexeu com a minha editora e aprendi um pouco de como é estar dentro da própria cobertura”, diz Magna.

Gabriel Veras – 2° período

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