Com quatro anos de atuação em campanhas solidárias, a UVA inicia uma nova ação voltada à doação de sangue, reforçando o compromisso com a preservação de vidas
O curso de Enfermagem da Universidade Veiga de Almeida, campus Barra, promoveu mais uma edição do Trote Solidário. O evento, que chega à sua quinta edição, traz uma nova abordagem para os tradicionais trotes que ocupam as universidades em início de período. Em parceria com o Hemorio, o curso, sob a coordenação da Prof. Dra Lidiane Barbosa, organizou ação social de grande impacto, reunindo calouros, veteranos, professores e membros da comunidade acadêmica em torno de uma causa essencial: a doação voluntária de sangue.
A coordenadora do evento, Lidiane Reis, que também é coordenadora do curso de Enfermagem da UVA Campus Barra, afirma que a iniciativa foi interrompida durante a pandemia. “Quando cheguei à universidade, retomei a proposta com uma nova perspectiva: construir uma ação coletiva de impacto, unindo todos os cursos da UVA em prol da vida”. Ela acredita que todas as ações voltadas ao próximo são gestos de cuidado. Como nos lembra a coordenadora, doar sangue é salvar vidas e, acima de tudo, um ato de amor.
De acordo com a Professora Lidiane, o processo de preparação dos alunos de Enfermagem envolve uma capacitação específica sobre o ciclo do sangue.“O que é o sangue, o que é o plasma, quais os critérios de elegibilidade, e, principalmente, a importância de doar sem esperar nada em troca, eles aprendem em sala de aula, além disso, divulgam, convidam, produzem materiais, entram nas salas das outras disciplinas e mobilizam toda a comunidade acadêmica”, explica Lidiane.
A parceria com o Hemorio é fundamental para a realização do evento. O instituto é responsável pelo envio da equipe técnica, materiais, equipamentos e lanches para os doadores, enquanto a universidade disponibiliza o espaço físico. A chamada “van da solidariedade” chega ao campus nas primeiras horas da manhã e permanece no local até as 16h, realizando todo o processo de coleta de sangue com suporte dos alunos voluntários. A médica e terapeuta Leíse Marcello, coordenadora da coleta externa destaca a importância de campanhas universitárias como esta para conscientizar a juventude. “O Brasil ainda enfrenta um déficit significativo no número de doadores. Eventos como esse ajudam a criar uma cultura de solidariedade entre os jovens, especialmente em relação aos tipos sanguíneos raros, como os negativos e o tipo O, que são os mais procurados”, comenta Leíse Marcello.
Durante o processo de triagem, conduzido pela equipe de enfermagem do Hemorio, cada voluntário passa por uma avaliação rigorosa. A enfermeira Amanda, do Hemorio, trabalha no setor de triagem responsável por conferir os dados dos doadores. Ela analisa possíveis divergências, pondera sobre o uso de medicações, cirurgias recentes e busca por informações que não tenham sido apresentadas nos questionários, a fim de confirmar se o voluntário está apto para a doação. Nem todo sangue doado é, de fato, utilizado.
Segundo a enfermeira, uma parte significativa acaba sendo descartada por conta dos exames realizados. “Fazemos um exame rápido com um aparelho chamado Cnoga, que verifica a pressão arterial, a hemoglobina, para ver se a pessoa está com o ferro em níveis adequados, o hematócrito, a frequência cardíaca e respiratória. Infelizmente, às vezes, até uma gripe recente aparece no exame, e a bolsa não pode ser usada. Por isso, hoje em dia, precisamos muito mesmo de sangue”, explica Amanda
Para Giulia Ramas, aluna de Enfermagem no terceiro período, ter a experiência de ser monitora é motivador. Ver a movimentação e as pessoas querendo doar é, segundo ela, um aprendizado que todos da área da saúde deveriam ter. Participando do evento pelo segundo ano, Giulia conta já ter presenciado desmaios, pessoas que saíram do trabalho para doar e outras que o fizeram por causa de parentes próximos. Ela também desabafa sobre aqueles que recusam a doação. “Se você pode, por que não? Vai ajudar alguém. Você não está dando três mil reais, é só um pouco de sangue que pode ajudar muita gente”, afirma Giulia.
A estudante de Enfermagem Sarah Galdino, do primeiro período, comentou sobre sua primeira vez participando do trote, e demonstrou a expectativa de conseguir bater a meta de 140 voluntários, já que cada bolsa pode salvar até quatro vidas. Isso significa que podemos alcançar até 600 vidas salvas em um único dia. “É normal sentir medo de agulha, mas precisamos lembrar que esse medo não pode ser maior do que a vontade de ajudar”, declara.
Gabriel Lopes, estudante do segundo período de Jornalismo, também participou da campanha como doador. Em sua terceira doação, relembra a experiência pessoal que o motivou “Doar sangue é um ato de empatia. Eu doei para minha tia quando ela precisou. Infelizmente, ela não resistiu, mas agradeceu muito. Aquilo me marcou, e hoje sigo doando na esperança de ajudar outras pessoas”, conta.
A 5ª edição do Trote Solidário da UVA reafirma o compromisso da universidade com a formação cidadã e com a promoção de ações concretas em prol da sociedade. A doação de sangue representa a construção de uma cultura de responsabilidade social, solidariedade e cuidado com o outro.
Gabriel Veras – 2° período e Duda Nicolich – 1°período












Deixe um comentário