O transtorno mental entre os jovens gera complicações para o desenvolvimento do ser humano. Pode causar diversos problemas, tais como: abuso de álcool e drogas, comportamento violento e dificuldade de se relacionar. Vários fatores levam ao aparecimento desses transtornos, as desigualdades sociais e econômicas, as emergências de saúde pública, a guerra e a crise climática são algumas das ameaças estruturais globais à saúde mental. A questão é como identificar e quando buscar ajuda evitando os riscos de um tratamento tardio. 

Segundo a Organização Mundial de Saúde, a maioria dos casos de distúrbios mentais que afetam os jovens de nosso país não é tratada adequadamente. Em 2023, a taxa de ansiedade entre crianças e jovens foi significativamente superior à de adultos. A taxa de pacientes entre 10 e 14 anos foi de 125,8 para cada 100 mil, enquanto a de adolescentes foi de 157 para cada 100 mil. A taxa de 112,5 por 100 mil habitantes com mais de 20 anos foi de 112,5 para cada 100 mil. É o caso de Paulo Henrique Santos Barcelos, 27. Paulo nos conta que no período da infância, durante o colégio, os jovens que apresentavam um tipo de transtorno eram diferenciados e viviam em um ambiente tóxico. “Pessoas com TDAH tinham medo de se manifestarem, de serem diferentes, negando-se a procurar ajuda”, disse.

Fatores que podem ocasionar problemas psicológicos

É crucial manter um ambiente seguro e saudável para prevenir problemas psicológicos. Manter uma rotina de sono equilibrada, aprender a lidar com as mais diversas emoções e com os conflitos que possam surgir durante este período. Além disso, o jovem necessita de um ambiente em que se sinta seguro e protegido. Dessa forma, se algo não ocorrer como o esperado, ele terá alguém ou lugar para procurar apoio. 

No entanto, nem todos os jovens têm apoio e isso pode causar problemas psicológicos. O médico psiquiatra, Luis Carlos Murari Jr, cita alguns fatores que podem ocasionar problemas psicológicos. “Os principais sinais de alarme de um problema de saúde mental são insônia ou hipersonia, perda do prazer de fazer as atividades cotidianas, falta de energia, irritabilidade constante, crises de ansiedade, perda de memória.” Além da falta de um porto seguro e dos citados pelo Dr Murari, existem outros fatores que podem ter um impacto negativo como:

  • Conflitos na família;
  • Bullying;
  • Envolvimento com drogas e álcool
  • Falta de autonomia;
  • Grande exposição ao estresse.

De acordo com a terapeuta Juliana Cardoso, outros fatores podem ser causadores de problemas psicológicos tais como: 

   – Maior conscientização e diagnóstico.

   – Estresse crônico devido a fatores socioeconômicos.

   – A pandemia de COVID-19, que afetou a saúde mental de forma global.

   – Mudanças no estilo de vida, como maior uso de redes sociais e isolamento digital.

O que são Transtornos Mentais?

Os transtornos mentais são distúrbios emocionais que afetam significativamente a qualidade de vida, dificultando a realização de atividades que antes eram simples, como estudar, namorar, praticar esportes, sair e estar com outras pessoas. Apresentaremos aqui alguns transtornos mentais e os seus sintomas. É importante salientar que os transtornos mentais têm tratamento e que os psicólogos e psiquiatras são profissionais de saúde mental que podem auxiliar. 

Segundo prática clínica, Juliana Cardoso aponta que os transtornos mais comuns atualmente tem sido:

Depressão

Transtorno de ansiedade

Transtorno bipolar

Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH)

Transtorno de personalidade Borderline 

Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH)

É um transtorno neurobiológico que tem origem genética, caracterizado por sintomas como falta de atenção, inquietação e impulsividade. Ele surge na infância e pode acompanhar o indivíduo por toda a sua existência. A prevalência global de TDAH estimada para crianças e adolescentes é de 3% a 8%, dependendo do sistema de classificação utilizado. Apesar de o TDAH ser mais frequentemente diagnosticado durante a infância, é incomum que o diagnóstico seja realizado posteriormente. Paulo Henrique Santos Barcelos, 27. Conta que sempre teve dificuldade de atenção e a pessoa que o ajudou com o TDAH foi sua mãe. “Procuro ajuda familiar e profissional para me manter melhor,” disse Paulo Henrique. 

  • Desatenção, dificuldade de concentração, de organizar atividades, de seguir instruções, de prestar atenção a detalhes e de completar tarefas. Pessoas com TDAH podem perder objetos, distrair-se facilmente e esquecer o que tinham para fazer. 
  • Hiperatividade, inquietação, agitação, dificuldade de ficar parado, necessidade de estar sempre se movimentando. Pessoas com TDAH podem falar muito e ter dificuldade de participar de atividades sedentárias. 
  • Impulsividade, impaciência, agir sem pensar, dificuldade para ouvir as perguntas até o fim, precipitação para falar e intromissão nos assuntos alheios.

Transtorno de personalidade Borderline

O Transtorno de Personalidade Borderline é uma doença mental que afeta até 6% da população e aumenta o risco de suicídio.  Segundo dados da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), 10% dos pacientes diagnosticados no Brasil cometeram suicídio. As pesquisas também mostram que 75% dos pacientes são mulheres. É caracterizado por uma tendência generalizada de instabilidade e hipersensibilidade nos relacionamentos interpessoais, instabilidade na autoimagem, oscilações extremas de humor e impulsividade. O diagnóstico é feito por critérios clínicos. O tratamento é composto por psicoterapia e, eventualmente, medicamentos. Os sintomas são os seguintes:

  • Instabilidade emocional, relacional e comportamental
  • Impulsividade
  • Dificuldades nos relacionamentos interpessoais
  • Medo intenso do abandono
  • Flutuações extremas de humor
  • Instabilidade na autoimagem
  • Crises de identidade
  • Baixa tolerância à frustração

Natasha Mallen,25, descobriu seu laudo de Borderline por meio da investigação terapêutica que já tinha acompanhamento há 3 anos, cita que é um transtorno muito complexo e desafiador que precisa de bons hábitos de sono, alimentar e de estudo pois são esses os gatilhos para os sintomas da doença. 

Depressão 

A depressão é um transtorno de humor que pode surgir uma vez, algumas vezes ou acompanhar-nos por toda a vida. Não devemos confundir-o com a tristeza. Ela pode ter um grande impacto na nossa maneira de lidar com a vida e com as nossas atividades. Em alguns casos, é possível cometer suicídio. Dados do último mapeamento sobre a doença realizado pela OMS apontam que 5,8% da população brasileira sofre de depressão, o equivalente a 11,7 milhões de brasileiros.Os sintomas mais frequentes são:

• Tristeza que não vai embora; 

• Perda de interesse ou prazer em coisas que antes gostava; 

• Sentimentos de culpa ou inutilidade; 

• Baixa autoestima; 

• Alteração de sono e apetite (para mais ou para menos); 

• Cansaço que não vai embora mesmo depois de descansar; 

• Falta de concentração; 

• Vontade de morrer.

Maria Eduarda Mendes, 20, começou a sentir sintomas de depressão bem nova, por volta dos 11 anos, porém levou cerca de 2 anos para realmente identificar e entender o que estava acontecendo. Maria Eduarda não buscou ajuda, pois se sentia culpada  e não entendia direito a condição, além de não querer “ser um peso”. Com 17 anos conversou com a sua mãe e então buscou ajuda de uma psicóloga e logo depois, de um psiquiatra. “Acho que o modo de vida rápido e as escalas excessivas de trabalho colaboram para o desenvolvimento das doenças,” disse Maria Eduarda.

Ansiedade 

A ansiedade é um transtorno bastante comum e está ligada a pensamentos rápidos e que não param, que podem estar ligados ao medo, à insegurança e às situações de ameaça. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil é o país com o maior número de pessoas ansiosas, cerca de 9,3% da população. 

Isaac Torres,21, possuía desde criança sintomas de ansiedade tais como, agitação, inquietação, descontrole emocional, “foco inconsistente”, insônia, dificuldades com quebra de rotina. “Eu acordava minha mãe e perguntava pra ela por que eu era o único que não estava dormindo”, conta, Isaac, demonstrando o quanto a ansiedade prejudica a sua vida.

Dentre os principais sintomas da ansiedade, destacamos:

• Tensão, nervosismo ou medo constantes 

• Sensação de que algo ruim vai acontecer 

• Alteração de sono e apetite (para mais ou para menos); 

• Agitação dos braços e pernas (fica balançando sem parar) 

• Dor ou aperto no peito e aumento das batidas do coração 

• Dificuldade de respirar 

• Tremores 

• Sensação de fraqueza ou cansaço 

• Dor de barriga ou diarreia sem motivo para isso

Síndrome do Pânico 

A síndrome do pânico é uma crise de ansiedade que surge repentinamente e provoca reações físicas e emocionais extremamente intensas. A síndrome do pânico já atinge cerca de seis milhões de pessoas só no Brasil, segundo dados da Pfizer. Seus principais sintomas são:

• Sensação de perda de controle (a pessoa pode achar que vai desmaiar ou morrer) 

• Sensação de distancia de si mesmo (a pessoa pode não conseguir sentir bem o corpo) 

• Medo de ter um ataque cardíaco, enlouquecer, morrer 

• Taquicardia e palpitações (coração acelerado ou batendo de um jeito diferente) 

• Suor frio 

• Tremores 

• Dificuldade para respirar 

• Náusea ou enjoo 

• Tontura 

Walter Bittinger, 20, conta sua experiência e sintomas ao ter ataques de pânico. “Eu apertei as mãos, meu corpo inteiro tremia e suava muito, minha mente doía e eu só queria gritar e chorar.” Ele continua: “Na primeira vez que tive um ataque de pânico, foi em um trabalho de escola, aliás, a escola me gerou vários traumas por eu sofrer bullying preconceito dos alunos e professores e até de uma pedagoga quando tava no ensino médio e foi apartir daí que comecei a ter ataques de pânico e medo de público e me afastar das pessoas”, desabafou.  

Como tratar os transtornos psicológicos?

Para a psicóloga Juliana Cardoso, o tratamento varia de acordo com cada diagnóstico, levando em consideração as necessidades de cada paciente. “De modo geral, o tratamento pode envolver algumas possibilidades, como: acompanhamento psiquiátrico, psicoterapia, medicação (caso seja necessário), rede de apoio família e social, terapias integrativas e em grupo e até intervenções mais diretivas em caso mais graves, como a internação/hospitalização para alguns casos.”

O médico Psiquiatra, Luis Carlos Murari, faz um adendo sobre os cuidados com os transtornos psicológicos.”Os tratamentos disponíveis vão além da terapia medicamentosa e psicoterapêutica. O tratamento deve ser individualizado focado no acolhimento, cuidado e novas funções terapêuticas com a finalidade de restabelecimento da qualidade de vida, há hábitos que podem melhorar a saúde mental: boas práticas alimentares, uma boa higiene do sono, atividade físicas e atividades intelectuais. O processo vai ser construído a partir da mudança de estilo de vida e utilização de uma equipe multidisciplinar que ajude em todo o processo.”

Giovanna Mattos – 5° Período

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