As superstições estão muito difundidas na nossa sociedade, uma consequência disso são as simpatias de fim de ano. Elas são muito comuns no Brasil e se tornaram uma tradição praticar diferentes tipos em toda virada de ano, cada uma com sua regra e especificidade. Assim, as pessoas se reúnem para celebrar, fazem suas simpatias preferidas e trocam esses conhecimentos entre si.
Ano novo é um dos eventos mais aguardados e como todo evento, traz suas peculiaridades. Todo o país se prepara para receber milhares de turistas nacionais e internacionais que se deslocam pelo Brasil para comemorar o fim do ano a moda de cada estado e cidade. O estado do Rio de Janeiro é um dos destinos mais procurados por turistas de acordo com levantamentos de sites de turismo, junto de São Paulo.
Uma dessas peculiaridades são as superstições de fim de ano, logo que o Natal passa já é possível ouvir as pessoas comentando sobre suas superstições de ano novo preferidas e as compartilhando com amigos e familiares. Simpatias são passadas entre as pessoas como tradições e estão muito presentes na sociedade brasileira há muito tempo.
O professor de História Daniel Araújo diz que muitas das nossas superstições estão ligadas a elementos religiosos, disse também serem uma mistura de alguns mitos ligados aos povos originários e mitos que vieram com os europeus católicos criados no período da Idade Média. “O ser humano, diante das incertezas da vida busca, nos dias de hoje ou num passado distante, apegar-se a superstições. Seria uma forma de controlar o incontrolável, o que vai acontecer no próximo ano ou mesmo o resultado de um jogo de futebol”.

As superstições dão origem às simpatias de ano novo e existem diversas, algumas das mais conhecidas são comer 12 uvas após a meia-noite, por uma folha de louro no bolso, pular 7 ondas assim que o novo ano começa, usar peças de roupa de determinada cor para atrair determinada coisa e colocar dinheiro no bolso.
Ana Clara de Lima, estudante de Nutrição, também pratica diversas simpatias de fim de ano, mas as que mais gosta são vestir branco para atrair paz, comer uvas verdes e colocar dinheiro no bolso, ela comenta que fazer essas coisas se tornaram uma tradição. “Eu não sou uma pessoa muito religiosa, mas os meus pais são e eu sempre faço com eles, pode não acontecer nada mas acho que é bom, eu gosto de fazer”, completou ela.

A psicóloga Joyce Magarão explicou que as pessoas possuem certa dificuldade de separar a fé da autorresponsabilidade e que o depósito das esperanças total em superstições pode ser prejudicial. “Não estabelecer prioridades e focos, podendo causar ansiedade, depressão, autoestima baixa e a crença do não merecimento se potencializa. Se a pessoa usar apenas como uma motivação, será muito favorável”, disse.

Ana Cristina de Assis, secretária da associação de moradores de onde mora, acredita que somos ensinados desde cedo a praticar algum ritual de fim de ano e citou praticar algumas como usar peças de roupa coloridas para manifestar o que é de sua vontade, guardar uma semente de romã na carteira e colocar uma nota de dois reais no pé direito para trazer prosperidade.

Daniel explicou que as superstições se tornam tradições na medida que são difundidas com o passar das décadas. “Segundo o psicólogo Bruce Hood, diretor do Centro de Desenvolvimento Cognitivo da Escola de Psicologia da Universidade de Bristol, na Inglaterra, o ser humano busca uma causalidade, uma lógica racional, em todos os eventos do seu dia-a-dia. Assim, são criadas associações de forma automática para tentar achar padrões que expliquem e organizem as informações que recebemos todos os dias. O problema é que, quando não há uma explicação clara aparente, o cérebro acaba fazendo uma associação que não é 100% racional. É daí que nascem as superstições”, esclareceu o professor.
As superstições e simpatias também são tradicionais para algumas religiões, as de matriz africana, por exemplo, têm suas tradições de ano novo. A mais conhecida é a oferenda a Iemanjá, na qual pessoas se reúnem à beira mar com cestos e barcos e dentro de cada um desses barcos e cestos. Eles colocam itens selecionados, como bebidas, comidas, espelhos e rosas brancas, para oferecer a essa Orixá como um presente, acredita-se que esse ato abre os caminhos para o ano seguinte.
Julia Vieira, estudante de TI, citou uma superstição que gosta em específico, usar roupas novas e de cores claras para atrair paz e energias boas no próximo ano. “Acredito que por tradição, costume e desejo de acreditar. Minha família realiza algumas dessas simpatias e tem essas superstições há muitos anos, então me trouxe essa bagagem para fazer o mesmo durante a virada de ano”, disse Julia.

Ana Cristina comentou crer que as pessoas apenas querem se agarrar em algo para manifestar dias e anos melhores. “As simpatias não são nada além de puro otimismo e esperança para realizar seus desejos e alcançar sua eterna busca por amor, saúde, paz e prosperidade”.
O professor de História explicou que o ser humano busca uma causalidade, uma lógica racional em todos os eventos do dia a dia. “O historiador Eric Hobsbawm afirma que algumas das tradições foram criadas recentemente, muitas vezes em resposta a uma nova situação ou a um momento de crise. Elas têm uma definição simbólica e tentam obter alguma veracidade de que vêm do passado”.
Joyce concluiu dizendo que é preciso comprometimento para que os desejos e objetivos para o próximo ano se concretizem e recomenda a busca por um profissional no caso de dificuldade em lidar com essas responsabilidades. “Ao iniciarmos mais um ano, muitos colocam a roupa com a cor que representa o seu desejo. Mas é de responsabilidade da pessoa se dedicar aos estudos e se aprimorar na profissão para atingir os seus objetivos. A fé é inquestionável, mas é fato de que as pessoas têm que assumir as suas escolhas”, disse a psicóloga.
Luiza Moura – 6° período





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