Embora eficaz para o emagrecimento, o medicamento para diabetes tem gerado procura crescente, mas especialistas alertam para efeitos colaterais e riscos de distúrbios alimentares devido ao uso sem orientação médica.

O Ozempic, desenvolvido pela empresa dinamarquesa Novo Nordisk para o tratamento de diabetes tipo 2, foi lançado em 2019 e tem como principal composto ativo a semaglutida. Desde meados de 2023, o medicamento tem se tornado viral e teve um grande aumento de procura em 2024. A explicação para todo esse sucesso é a eficácia que o medicamento tem demonstrado no auxílio à perda de peso, mesmo entre pessoas sem resistência insulínica, que são as pessoas diagnosticadas com diabetes. Nas redes sociais, cantores, influenciadores e outras personalidades têm compartilhado resultados positivos quanto ao uso do Ozempic para emagrecimento. No entanto, o uso indiscriminado e sem orientação médica levanta preocupações entre especialistas, que alertam para possíveis efeitos colaterais, como náusea, diarreia e constipação intestinal.
Segundo o endocrinologista, Dimitri Azeredo, o Ozempic, cujo principal composto ativo é a semaglutida, pode causar efeitos colaterais como náusea, diarreia e constipação intestinal em pacientes que utilizam o medicamento. De acordo com o especialista, esses efeitos podem, em alguns casos, levar à interrupção do tratamento. Outro efeito colateral mencionado é o aumento do risco de desenvolvimento de colecistite, uma inflamação da vesícula biliar — um órgão em forma de pêra localizado na parte inferior do fígado. No entanto, o especialista descarta o risco de desenvolvimento de pancreatite em pacientes que utilizam a medicação. “Os principais efeitos colaterais do Ozempic são gastrointestinais, como náusea, diarreia e constipação intestinal. Além disso, deve-se prestar atenção ao risco de problemas na vesícula biliar, como a colelitíase, devido ao aumento da chance de desenvolvimento de colecistite. Contudo, efeitos colaterais mais graves, como pancreatite e o agravamento ou descompensação de doenças psiquiátricas preexistentes, já foram descartados”.

A estudante de jornalismo, Geovanna Latsch, começou a usar o Ozempic após comentar com a endocrinologista sobre o desconforto que sentia com o corpo, a especialista recomendou o medicamento, já que não havia contraindicações. Geovanna afirma que não experimentou muitos dos efeitos colaterais comuns do medicamento, relatando apenas uma diminuição do apetite e da vontade de comer doces. “Eu comecei o uso por indicação da minha endocrinologista. Durante uma consulta, mencionei o desconforto com o meu corpo, mesmo sem problemas de saúde, e, como não havia contraindicações, iniciei o tratamento. Tive acompanhamento médico durante todo o processo e, para mim, os efeitos colaterais foram bem leves. Não senti enjoo, nem repulsa à comida. A única mudança foi a diminuição do apetite e da vontade de comer doces.”

O especialista afirma que não é incomum receber pacientes que, mesmo com índice de massa corporal (IMC) abaixo de 27 — o primeiro valor que indica sobrepeso — ainda assim buscam tratamentos de emagrecimento com o Ozempic. Segundo Dimitri Azeredo, o uso do medicamento pode levar ao que ele chama de “desejo social pela magreza”, um fenômeno cultural e social que valoriza corpos magros como ideais de beleza e sucesso, muitas vezes ignorando a diversidade natural dos corpos e impondo padrões estéticos que afetam negativamente a saúde física e mental das pessoas.
Geovanna Latsch diz ter interrompido o tratamento após quatro meses de uso, pois não obteve os resultados que esperava ao iniciar o tratamento por indicação da endocrinologista. Além disso, o alto custo da medicação, que varia de 1.500 a cerca de 1.900 reais por embalagem — capaz de fornecer até 4 doses — também foi um fator decisivo. “Como cada organismo reage de um jeito, minha experiência não foi ruim, mas não foi exatamente o que eu esperava. Então, acabei não levando adiante e parei no quarto mês de uso, pelos resultados não serem compatíveis com o valor que eu pagava”.
Azeredo explica que, em pacientes que desenvolvem o quadro de “magreza social”, os principais riscos diagnosticados incluem deficiência de vitaminas, desregulação hormonal, amenorreia em mulheres e redução dos níveis de testosterona em homens, devido à ingestão calórica ser muito menor do que o necessário. Além disso, há risco de descompensação de distúrbios alimentares. “O uso indiscriminado da medicação pode levar ao desejo social da magreza. Os principais riscos que vemos são deficiência de vitamina, desregulação hormonal, amenorreia em mulheres, baixa de testosterona em homens devido ao que ingere-se é muito menor do que o que se come, bem como a descompensação de problemas alimentares”, explicou o endocrinologista Dimitri Azeredo.
Quanto às indicações de uso do medicamento o endocrinologista Dimitri Azeredo afirma que pessoas que tenham o índice de massa corpórea (IMC) a partir de 27, atrelado a alguma comorbidade, como hipertensão, dislipidemia (pessoa que tenha gordura no sangue, como colesterol e triglicérides), apneia do sono, são os critérios fundamentais para o tratamento. O especialista afirma ainda que pessoas com IMC a partir de 30, que é o índice de massa corpórea inicial da obesidade, têm indicação para o uso da medicação. “Uma pessoa com IMC superior a 30, de fato, tem indicação da medicação. A medicação é o melhor tratamento para a obesidade que nós temos no Brasil. Um dos melhores que nós temos no mundo ou quando a pessoa tem o IMC superior a 27, mas é uma pessoa hipertensa. Se uma pessoa tem diabetes, uma pessoa deslipidêmica, com apneia do sono e que ao longo do tratamento a gente vê que a perda de peso melhora a qualidade de vida da pessoa”.
Demitri Azeredo cita que com base na pesquisa Select, que foi um ensaio clínico que teve os dados divulgados na reunião anual da American Heart Association (AHA), em novembro de 2023, que pessoas com diabetes que receberam o medicamento e não o placebo tiveram uma diminuição em 20% nos riscos de eventos cardíacos, como Acidente Vascular Cerebral (AVC) e Infarto . “O estudo SELECT, por exemplo, mostra que pessoas com diabetes que se tratam com a semaglutida tem um risco cardiovascular reduzido em aproximadamente 20%”.
Adalberto Ribeiro – 5° Período





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