O regime de Microempreendedor Individual (MEI) tem se consolidado como uma importante porta de entrada para o empreendedorismo no Brasil. Com mais de 14 milhões de registros no país, o MEI oferece a possibilidade de formalização a pequenos negócios, garantindo direitos previdenciários e facilitando a emissão de notas fiscais. No entanto, apesar das facilidades, os microempreendedores também enfrentam desafios. A seguir, três empreendedoras compartilham suas histórias e a experiência com o regime MEI, revelando as vantagens, dificuldades e suas expectativas para o futuro, Mariza de 45 anos, Heline de 47 anos e Conceição Teixeira mais conhecida como Marycon de 53 anos . 

Para Mariza, o desejo de ser dona do próprio negócio sempre foi um sonho. “Eu trabalhava em uma empresa privada e conciliava as duas funções, até que chegou o momento de escolher: segui meu sonho de empreender”, conta ela. O caminho, entretanto, não foi fácil. O principal desafio foi o investimento inicial necessário para abrir e manter o negócio até alcançar um retorno satisfatório.

Apesar das dificuldades, Mariza acredita que formalizar seu negócio como MEI trouxe muitas vantagens. “Poder legalizar meu funcionário, trabalhar de forma regular e emitir Nota Fiscal para participar de licitações são grandes benefícios”, destaca. No entanto, o limite de faturamento imposto pelo regime MEI e a limitação no número de funcionários são desafios constantes para quem deseja crescer.

Mariza de Oliveira, ceo da MonkeyFestas

Mariza está otimista quanto ao futuro. Ela deseja expandir sua empresa de festas e eventos e, com o aumento da demanda, já considera mudar de regime para suportar um faturamento maior. “Minha meta é crescer e, eventualmente, abrir meu próprio espaço para realizar as festas”, revela. Ela também acredita que incentivos financeiros e a redução de custos com pessoal e impostos seriam fundamentais para o desenvolvimento de empresas como a sua.

Heline Bellezia , dona do próprio negócio de artesanato. 

Heline sempre trabalhou com artesanato e viu no MEI uma oportunidade de formalizar seu negócio, garantindo maior controle sobre suas finanças e reduzindo a carga tributária. “Meu principal objetivo ao me tornar MEI foi reduzir os impostos que eu pagava, já que o regime oferece uma taxa fixa e reduzida”, explica.

Com o auxílio do marido, que é contador, Heline conseguiu se formalizar sem grandes dificuldades. Ela destaca que, apesar da aparente simplicidade, a formalização pode ser mais complexa para quem não tem apoio técnico. “Para mim, foi fácil porque meu marido é contador e cuidou de tudo, mas reconheço que pode ser complicado para quem não tem essa assistência”, comenta.

Heline observa que seu negócio artesanal é de nicho, com pouca concorrência, o que facilita a fidelização dos clientes. “Meus clientes são fiéis porque faço um trabalho muito específico. No momento, não me preocupo tanto com concorrência, mas sei que, se um dia crescer, isso será positivo para todos.”

Em relação ao futuro, Heline não pretende contratar funcionários, mas vislumbra a possibilidade de expansão. “Caso meu negócio cresça, terei que mudar de categoria empresarial, mas por enquanto o MEI atende bem às minhas necessidades”, afirma. Ela também acredita que o aumento do limite de faturamento para o MEI seria um incentivo importante para manter microempreendedores no regime.

A confeiteira e dona do próprio negócio Marycon começou na  confeitaria há anos e, com o tempo, percebeu a necessidade de formalizar a empresa. “O segundo passo, depois de me especializar, foi formalizar o negócio”, conta. Para ele, o processo de formalização foi simples e não apresentou grandes desafios.

Conceição Teixeira, confeiteira e dona da marycon cake designer.

No entanto, Marycon critica o limite de faturamento anual imposto pelo regime MEI, que considera defasado. “Os valores de faturamento do MEI estão muito abaixo do que precisamos para crescer”, afirma. Com uma demanda crescente e planos de expandir o portfólio de produtos, Marycon já está em processo de mudança para outro regime tributário.

Sua visão é clara: continuar crescendo, abrir uma cafeteria especializada e expandir sua atuação para fora do Rio de Janeiro. “Temos planos para explorar novos mercados, inclusive em Portugal”, revela. Apesar dos desafios, Marycon mantém uma postura pró ativa e critica a falta de incentivos do governo para o setor. “O governo precisa atualizar o limite de faturamento. Hoje, ele mais do que nunca incentiva o pequeno empreendedor”, afirma.

As histórias de Mariza, Heline e Marycon refletem o sucesso e os desafios de ser MEI no Brasil. Embora o regime ofereça uma forma acessível de formalização para milhões de brasileiros, o limite de faturamento e a falta de incentivos mais amplos são barreiras para o crescimento de muitos empreendedores.

Ana Luiza Duarte – 6° Período

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