A comunicação pode ser um desafio para pessoas com deficiência auditiva, dependendo do grau de surdez a escrita pode facilitar essa comunicação. Mas para pessoas que têm a audição completamente comprometida, a Língua Brasileira de Sinais permite que essas pessoas façam parte da sociedade de forma mais ativa e contribui para uma maior acessibilidade no país.

De acordo com dados do IBGE, há cerca de 10 milhões de pessoas com algum grau de surdez no Brasil. Mesmo com uma população surda de tal dimensão, o país ainda apresenta diversos problemas para inserir pessoas com deficiência no geral, no caso de pessoas surdas a comunicação é uma barreira que aos poucos está sendo desfeita.

Com o passar dos anos, é possível ver o conhecimento sobre a Língua Brasileira de Sinais sendo mais difundido e impulsionado com a ajuda da internet e das redes sociais, onde professores compartilham seus conhecimentos. Essa difusão estimulou que mais eventos como shows, palestras e até mesmo cultos religiosos fossem realizados com a presença de intérpretes de Libras. 

A professora e intérprete de Libras, Lilian Paiva, disse ser essencial a presença desses profissionais em eventos para que informações e conhecimentos antes negados a pessoas surdas cheguem até  elas. “Com a crescente visibilidade da Libras, os surdos estão conquistando mais espaço em diversos ambientes, algo que antes era limitado pela ausência de intérpretes. Antigamente, os surdos participavam de movimentos por inclusão, mas muitas vezes sem a presença de intérpretes, o que dificultava o acesso à informação e comprometia a acessibilidade linguística”, concluiu a professora.

Rosimeri de Melo Sousa trabalha como Inspetora no Colégio Ph e é surda, ela relatou que a inclusão de pessoas surdas têm um impacto positivo na sociedade pois pode gerar mais oportunidade de empregos e estudos, mais acesso à informação e uma vida mais saudável para pessoas surdas. Ela é bem inserida no ambiente de trabalho pelos colegas e consegue realizar suas atividades profissionais e pessoais sem problemas.

A professora de Libras Alessandra Cassiano, dá aulas para crianças na Prefeitura Municipal de Petrópolis e disse que enxerga sua profissão como bastante relevante. Explicou que através dela tem a oportunidade de conscientizar seus alunos sobre os desafios enfrentados por pessoas surdas e como veem o mundo. “A primeira coisa que a sociedade precisa entender é que: o lugar da pessoa surda e de outras deficiências é em todo lugar. Às vezes, precisamos nos colocar no lugar do outro e pensar se o que estamos planejando atende a todas as pessoas. E a segunda coisa, para que os espaços estejam mais acessíveis às pessoas surdas, é um ambiente com a presença da Língua Brasileira de Sinais”, disse Alessandra.

Marcio Gomes trabalha como Técnico de Segurança do Trabalho (TST), não tem deficiência auditiva, mas consegue se comunicar em Libras. Ele relatou ter aprendido numa empresa em que trabalhou após começarem a contratar pessoas surdas. “A empresa botou lá curso de Libras para os funcionários que quisessem e pela minha posição eu achei fundamental aprender. Porque sendo TST, você vai fazer um treinamento, como é que você ministra um treinamento para uma pessoa surda se você não souber se comunicar com essa pessoa?”.

Rosimeri acredita que saber se comunicar em Libras pode melhorar a acessibilidade para pessoas surdas, pois assim se torna mais fácil compreender as necessidades dessas pessoas e estar a disposição para ajudá-las e atendê-las. Ela também disse ser muito importante ter intérpretes de Libras em eventos, assim elas participam, têm mais voz ativa, se informam mais, podem aprender e também aproveitar momentos de lazer como em teatros ou shows, por exemplo. Concluiu afirmando que isso os permite participar da sociedade de forma mais ativa.

Nos últimos meses, diferentes eventos incluíram intérpretes de Libras. O Rock In Rio esse ano contou com intérpretes em todos os telões, fazendo a tradução e interpretação dos shows e o Lollapalooza desse ano também teve intérpretes nos shows, vídeos do intérprete do funkeiro Kevin O Chris viralizaram nas redes sociais pelo teor das letras e como pareciam cômicas ao serem traduzidas pelo intérprete.

Marcio explicou acreditar que o ensino de Libras nas escolas seria essencial para aumentar a acessibilidade e inclusão de pessoas surdas na sociedade. “Você conversa com ela, você acaba trazendo a pessoa surda mais para o meio de todo mundo. Ela não se sente isolada, afastada como se não tivesse ninguém que falasse ou pelo menos entendesse um pouco né, conseguir se comunicar com ela é fundamental”.

Lilian esclareceu que mesmo o Brasil não sendo exemplo de acessibilidade, estamos caminhando para que haja possibilidade de mudanças com o incentivo e propagação da Língua Brasileira de Sinais, também ressaltou a importância de valorizar o trabalho dos professores e intérpretes de Libras. “Precisamos, também, valorizar a profissão do tradutor e intérprete de Libras, pois ainda é comum solicitarem intérpretes de forma voluntária, o que desvaloriza não apenas a profissão, mas também pode comprometer a qualidade da interpretação. A sociedade precisa compreender que a presença de intérpretes qualificados é fundamental para garantir que as pessoas surdas tenham acesso pleno à informação e aos serviços. Somente assim conseguiremos construir um ambiente verdadeiramente inclusivo”, concluiu ela.

Luiza Moura – 6° período

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