Depois de faturar uma das principais láureas do cinema mundial, a Palma de Ouro no Festival de Cannes, “Anora”, o novo filme de Sean Baker (Projeto Flórida), desponta como uma das produções mais cotadas para a temporada de premiações, e chega cotada para inúmeras indicações ao Oscar de 2025. A produção neste momento está em exibição na tradicional Mostra de São Paulo.

Ani (Mikey Madison) é uma jovem de ascendência russa e trabalha na cidade cosmopolita de Nova York numa casa noturna tradicional na cidade. A vida dela muda radicalmente quando conhece Vanya (Mark Eidelstein), um aristocrata filho de um oligarca russo. Juntos, os dois vivem intensamente a boemia com a ilusão de um poder ilimitado do dinheiro do herdeiro que aproveita as fantasias das festas como se não houvesse amanhã e chega a se casar às escuras com Ani, entretanto, tudo é colocado em risco quando os pais de Vanya descobrem que os rumores do casório são verdadeiros.

Sean Baker é um diretor que está habituado em trabalhar à vida de personagens jovens adultos, desorientados que abraçam ilusões. Nesse sentido os filme mais recentes do diretor possuem um diálogo íntimo, mas sempre com características particulares e especificidades dentro da seara de filmes da filmografia de Baker que também tratam sobre profissionais do sexo estão obras como “Tangerina”, “Red Rocket”, “Projeto Flórida” e “Uma Estranha Amizade” que possuem personagens centrais que vivenciam essa realidade e essa ocupação consume parte importante do enredo dos filmes citados. 

Em “Anora”, o grande diferencial é a abordagem que olha para esse volátil relacionamento que parte de um vínculo comercial e como a estigmatização invalidante de profissionais do sexo se dá pela sociedade e como pessoas endinheiradas podem ter a tendência de ser insensíveis e irresponsáveis afetivamente, nesse sentido o filme opõe dois personagens com diferentes tipos de imaturidade provocadas pelo hedonismo exacerbado que o dinheiro pode provocar, enquanto a protagonista se vê em um relacionamento capaz de mudar radicalmente de vida sem pensar nas complicações envolvidas por trás daquela ostentação apresentado pelo então parceiro e enquanto Vanya se mostra alguém sem qualquer consciência de classe e acha que pode fazer o quiser com um dinheiro que sequer é dele.

O discurso forte da película é atenuado pelas ironias e absurdos que surgem de forma corriqueira entre diálogos e situações cômicas inesperadas, Baker não tem medo de assumir uma estrutura caótica especialmente na segunda metade da obra, em que a mescla gêneros entre o drama, a comédia e cargas sutis de suspense se misturam e gera certa imprevisibilidade, mas também provoca um ritmo mais arrastado a partir do momento que existe uma certa repetição de eventos e episódios que provocam um certo cansaço.

Mikey Madison é o destaque do filme com uma presença de cena forte e inapelável, com um olhar expressivo e profundo que consegue representar a verdadeira montanha-russa de sensações vividas pela personagem. Yuriy Borisov também chama atenção como um personagem enigmático e ambíguo com a obsessão que tem por Ani.

“Anora” é um filme que pode provocar fortes sensações e estimula debates sobre temas sensíveis para o espectador. O filme é distribuído pela Warner e tem previsão de estreia para o dia 23 de janeiro de 2025.

Marcio Weber – 6° Período

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