Nos últimos meses, desde agosto de 2024, o Brasil tem observado um novo aumento de casos de COVID-19, levando especialistas a soar o alarme sobre a necessidade de precauções mais rígidas. Embora o número de pessoas infectadas tenha crescido, ainda não há sinais claros de sobrecarga no sistema de saúde, segundo profissionais que estão diretamente envolvidos no combate à pandemia.
Para entender melhor esse cenário, conversamos com Cláudia Torres, médica do trabalho e infectologista na empresa Everest; Carla Silva, enfermeira atuante em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) Jorge Saldanha Bandeira de Mello, no Rio de Janeiro, e Lidiane dias reis, Coordenadora de Enfermagem da Universidade Veiga de Almeida, campus Barra da Tijuca. As entrevistadas trazem visões distintas, porém complementares, sobre os desafios enfrentados nesse novo surto. Enquanto Cláudia se debruça sobre as questões de vacinação e o comportamento da população, Carla lida com a pressão nos postos de saúde e a sobrecarga que essa nova demanda pode trazer para outras áreas da saúde, enquanto Lidiane comenta o panorama geral.


Segundo Cláudia Torres, a nova variante do vírus se mostra mais transmissível e isso tem se refletido no aumento expressivo da taxa de positividade. “Os sintomas são semelhantes aos das variantes anteriores, mas o problema maior é o poder de infecção”, afirma. Ela alerta que, apesar do crescimento de casos, ainda não há uma pressão significativa sobre o sistema de saúde, mas é preciso cautela.
Cláudia também destaca o impacto da falta de informação. ”A percepção enganosa dos pais é de que não é preciso vacinar, pois as doenças desapareceram, o desconhecimento dos imunizantes que integram o calendário obrigatório de vacinação, o medo das reações”.
Além disso, Cláudia observa que o relaxamento nas medidas preventivas tem a ver muito com a cultura da não prevenção. “O fator agravante principalmente no RJ, onde o calor é excessivo, a máscara por exemplo “incomoda”, além disso, os transportes públicos não favorecem, pois vivem lotados”, disse.
Na linha de frente do atendimento, Carla Silva , enfermeira na UBS do Rio de Janeiro Jorge Saldanha Bandeira de Mello, relata um aumento considerável no número de pessoas procurando atendimento, apresentando inicialmente sintomas gripais que por fim condizem com os de COVID 19 . “Desde que os casos começaram a aumentar, temos visto uma procura muito maior por testes rápidos e atendimento de sintomas leves, como dor de garganta e febre”, relata Carla.

Apesar de a maioria dos casos serem leves, a enfermeira observa que muitas pessoas ainda não seguem as orientações preventivas, o que dificulta o controle da doença. “O problema é que as pessoas, mesmo com sintomas, demoram a procurar atendimento ou negligenciam os cuidados básicos de higiene. Isso acaba facilitando a transmissão e sobrecarregando os postos”, comenta.
Para a enfermeira da (UBS) Jorge Saldanha Bandeira de Mello ,uma das variantes mais recentes da COVID-19 XBB.1.16 tem características clínicas semelhantes a outras sub variantes, como febre, tosse, dor de garganta, coriza e um fator novo, a conjuntivite viral. “Até o momento não foi encontrado características que indiquem que a Arcturus seja uma variante de preocupação, assim como a Ômicron, e no passado Alfa, Beta, Delta e Gama. As novas linhagens vêm sendo tratadas pela Organização Mundial da Saúde desde meados de abril”.
Ana Luiza Duarte – 4° Período





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