Com a chegada do inverno, as baixas temperaturas trazem consigo uma série de desafios para a saúde, especialmente para as crianças e pessoas com dores crônicas. A Dra. Roberta Pilla, médica otorrinolaringologista pediátrica da ABORL-CCF (Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial), e Dr. André Mansano, médico intervencionista da dor, explicam as melhores práticas e cuidados necessários para enfrentar essa estação.


No inverno, as crianças brasileiras frequentemente apresentam resfriados, gripes e outros quadros alérgicos. Um dos métodos mais eficazes para aliviar esses sintomas, segundo Roberta Pilla, é a nebulização. “A nebulização consiste em receber uma solução, soro ou medicamento, por meio da inalação do vapor gerado pelo nebulizador”, explica a especialista. Ela ressalta que o equipamento transforma essas soluções em aerossóis, partículas muito finas inaladas diretamente para o interior dos pulmões. “Trata-se de um meio muito eficaz e seguro para tratar distúrbios respiratórios como asma, traqueíte, bronquite e outros quadros inflamatórios e infecciosos”, complementa.
A nebulização, além de ser um método de administração de medicamentos, também oferece alívio imediato ao paciente, especialmente às crianças que sofrem com desconforto respiratório. “Esse processo umidifica as vias aéreas e torna as secreções mais fluidas, o que gera um maior conforto para os pequenos”, explica a médica.
Existem diferentes tipos de nebulizadores disponíveis no mercado, mas Roberta destaca o nebulizador de rede vibratória como o mais prático e funcional para uso domiciliar. “Este modelo é portátil, silencioso e fácil de transportar, permitindo realizar a inalação em qualquer lugar sem deixar resíduos”, orienta.

No entanto, é fundamental que a nebulização seja realizada de forma correta, especialmente em crianças. A médica sugere que os pais apresentem o método de forma lúdica para as crianças, para evitar resistência. “Prepare o dispositivo com soro fisiológico ou outra medicação prescrita, posicione a máscara cobrindo o nariz e a boca da criança e mantenha-a respirando normalmente até o término da névoa”. Ela acrescenta que a posição ideal da criança é sentada, e sugere realizar leves batidinhas nas costas para ajudar na mobilização da secreção.
Outro ponto crucial abordado por Roberta é a necessidade de prescrição médica para o uso de nebulizadores. “A avaliação médica é imprescindível para garantir a segurança e eficácia do tratamento”, enfatiza. Caso a nebulização seja feita apenas com soro fisiológico, ela alerta para a importância de manter a conservação adequada desse líquido, que não deve ser armazenado por longos períodos.
Enquanto as crianças sofrem com problemas respiratórios, outro grupo vulnerável ao frio são as pessoas com dores crônicas. O Dr. André Mansano, especialista em dor crônica e pós-doutor pela Faculdade de Medicina da USP, explica que até 90% dos pacientes com dores crônicas relatam piora dos sintomas durante o inverno. “A queda de temperatura, a umidade do ar e a pressão atmosférica são fatores que contribuem para essa piora”, explica o médico.
André descreve que a diminuição da viscosidade do líquido sinovial nas articulações e o encurtamento dos tecidos do corpo com o frio são algumas das causas que intensificam as dores. “Isso resulta em maior rigidez e dores, especialmente em condições como artrose, artrite, dores neuropáticas e fibromialgia”, detalha.
Para minimizar os efeitos do inverno, André aconselha manter a prática regular de atividades físicas, aquecer o corpo adequadamente, manter os ambientes aquecidos e seguir uma hidratação adequada. “As atividades físicas são essenciais para o controle das dores, e é importante manter-se aquecido e hidratado durante o inverno”, recomenda.
Além disso, ele alerta sobre a importância de seguir rigorosamente os tratamentos prescritos pelos médicos. “Qualquer mudança ou piora nos sintomas deve ser comunicada à equipe médica para possíveis ajustes no tratamento”, destaca.
Outro fator que merece atenção durante o inverno, segundo a Dra. Maura Neves, otorrinolaringologista da ABORL-CCF, são as doenças respiratórias infantis. A médica explica que doenças como asma, bronquiolite, sinusite e pneumonia são mais frequentes durante essa estação. “As condições climáticas do inverno, como o frio e o ar seco, favorecem a proliferação de vírus e a transmissão de agentes infecciosos”, esclarece.

Maura enfatiza a importância de procurar atendimento médico em casos de infecções respiratórias, especialmente em crianças pequenas. “Crianças abaixo de dois meses devem ser avaliadas de imediato. Quanto menor a criança, maior a gravidade potencial da infecção”, alerta. Ela também recomenda cuidados preventivos, como a vacinação, uma boa alimentação e a prática de exercícios físicos, como formas eficazes de reduzir o risco de infecções durante o inverno.
Em resumo, os especialistas destacam a importância de cuidados preventivos e a consulta médica regular como formas de minimizar os impactos das doenças respiratórias e das dores crônicas durante o inverno. Ao seguir essas orientações, é possível enfrentar o frio com mais saúde e segurança.
Mario Freire 2° Período





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