Evento promove debate sobre o papel da psicologia na atualidade e destaca lançamentos literários que ampliam a compreensão da psicanálise e da comunicação.
Nos dias 29 e 30 de agosto, a Universidade Veiga de Almeida, campus Barra, celebrou a XXVIII Semana de Psicologia. O evento deste ano discutiu a atuação dos psicólogos diante de cenários que marcaram o país nos últimos anos.

A mestre em Psicanálise, Saúde e Sociedade na Universidade Veiga de Almeida, Ana Paula Galdino, falou sobre o futuro da psicanálise, enfatizando a necessidade de “abrir espaço para os silenciados” e expandir os horizontes da disciplina para além das visões tradicionais europeias e ocidentais.Um movimento visto com muita importância para integrar a diversidade cultural na prática do dia a dia da psicanálise e para o desenvolvimento de novas abordagens. Os povos originários foram apontados como exemplo de como diferentes culturas podem enriquecer a Psicanálise. Eles oferecem uma visão da humanidade que, segundo Ana Paula, é referente à visão de coletividade. Nessas culturas, a conexão entre presente, passado e futuro é profundamente enraizada na ancestralidade, uma perspectiva que desafia a visão capitalista dominante, onde o tempo é frequentemente percebido como uma ferramenta para consumo e produção. Essa reflexão levantou questionamentos sobre a forma como o pensamento capitalista moldou a existência humana e como outras culturas podem oferecer alternativas de existência diferentes.

utro ponto discutido foi como a pandemia abriu espaço para a atuação mais efetiva das equipes de psicologia nos hospitais. A doutoranda em Psicanálise, Saúde e Sociedade, Camila Buttignol, relata disse ainda que há suporte psicológico em hospitais e destacou a importância da presença desses especialistas para lidar com o impacto emocional nos pacientes, familiares e profissionais de saúde. A pandemia evidenciou a necessidade de integrar a psicologia de forma mais resistente nas equipes em hospitais. A Prof Dra. Bárbara Carissimi, coordenadora do curso de Psicologia da Universidade Veiga de Almeida, acrescentou que a prática do psicólogo vai além da teoria, sendo essencialmente uma prática de amor e acolhimento. Ela disse ainda que, em momentos de tragédia e sofrimento, o psicólogo deve priorizar o lado humano, muitas vezes deixando a teoria de lado para oferecer apoio afetivo e validar o sofrimento das vítimas.

O lançamento do livro “Um Escultor da Palavra no Avesso da Comunicação” de Glória Sadala, coordenadora e docente do programa de pós-graduação Stricto Sensu em Psicanálise, Saúde e Sociedade, compartilhou suas motivações e reflexões sobre a obra. Ela explicou que o livro surgiu de seu interesse pelo papel da linguagem e da palavra na Psicanálise, especificamente questionando por que o psicanalista utiliza a palavra como único instrumento de trabalho e como a transformação pessoal pode ocorrer por meio dela. Segundo a Professora, há uma desconexão entre a palavra sobre a forma que vem crescendo a desconexão entre a palavra e a verdade na era contemporânea, citando o impacto das fake news e o desprezo pela verdade na comunicação.

Legenda “Me debrucei sobre alguns conceitos fundamentais da psicanálise, como o inconsciente, a pulsão e a transferência e concluo o livro com o último capítulo fazendo um paralelo entre a palavra na psicanálise e a palavra na comunicação contemporânea, que na verdade é usada apenas para transmitir.
A professora de Psicologia Ondina Santos compartilhou suas impressões sobre o recém-lançado livro de sua ex-orientadora. Ondina nos conta que adquiriu o livro devido à sua experiência acadêmica. “Eu comprei o primeiro livro porque fui aluna da Glória Sadala, fiz doutorado na Veiga de Almeida. Ela é mais que uma coordenadora, ela tem atitudes na hora certa, com uma força de existência tão linda que chega a ser uma mãe para nós,” acrescenta Ondina.

O lançamento do livro da professora Danielle Lamarca, da Universidade Veiga de Almeida, abordou temas sobre arte e psicanálise. A obra se desenvolve a partir de uma visão entre Freud e Lacan com o conceito de sublimação e sua ligação com a criação artística. Durante a apresentação, a autora compartilhou suas experiências acadêmicas e como sua pesquisa se desenvolveu ao longo dos anos. A obra tem a participação da vida de artistas como Marina Abramović e Manoel de Barros. A autora utiliza o trabalho desses artistas como exemplos da manifestação na criação artística. A autora também trouxe reflexões sobre a repetição na neurose e a diferença entre criação artística e repetição neurótica. Ela argumenta que, enquanto a neurose se baseia em repetições identificatórias, a arte surge de um vazio, criando algo verdadeiramente novo.



O evento contou com a presença de acadêmicos, estudantes e profissionais da Psicanálise, todos interessados em explorar as novas fronteiras entre a Psicanálise e a Arte. A obra promete ser uma contribuição significativa para o campo, oferecendo novas perspectivas sobre a subjetividade feminina e a criação artística. Ana Paula Magalhães, aluna da Prof. Danielle Lamarca, compartilhou suas expectativas ao adquirir o livro. “A oportunidade de ter contato direto com a autora e ver a história por trás da construção desse livro é fantástica. Fala fundo dentro da gente”, disse Ana Paula

A professora Danielle Lamarca compartilhou suas expectativas em relação ao impacto de sua obra sobre seus alunos. “Eu espero que eles possam aprender, porque é um livro teórico, não é um romance, que possa contribuir para a formação deles. Quem sabe me citar em algum trabalho e lembrar desse momento da formação deles, que depois eles vão virar profissionais. Espero que essa obra plante a sementinha do gosto pela leitura e pela escrita, mostrando que a nossa carreira, especialmente a psicologia, tem muito espaço para publicações. Que eles sigam esse caminho e, quem sabe, também venham a lançar seus próprios livros no futuro.”, acrescenta Danielle
Giulia Karol – 4° Período





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