De acordo com os dados revelados pela pesquisa da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica (ISAPS) e divulgados pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) em 2023, o Brasil se destaca como um dos principais destinos globais para procedimentos de cirurgia estética. Os números revelam uma posição de prestígio, colocando o país em segundo lugar no ranking internacional dessas intervenções, sendo superado apenas pelos Estados Unidos. Essa posição privilegiada reflete não apenas a expertise dos profissionais brasileiros na área, mas também a crescente busca por melhorias estéticas e a confiança depositada na qualidade dos serviços oferecidos.

No contexto brasileiro, as intervenções estéticas há bastante tempo fazem parte da busca pela beleza e autoestima. Com uma cultura que valoriza profundamente a estética, o Brasil se destaca como um dos países onde esses procedimentos são mais procurados. Segundo uma projeção realizada com base nos dados mais recentes da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), espera-se que o número de cirurgias plásticas aumente ainda mais até o final deste ano de 2024, alcançando a marca de 2 milhões de procedimentos. Contudo, por trás do crescimento dessas estatísticas, há uma série de desafios que necessitam ser enfrentados.

As cirurgias estéticas mais solicitadas no Brasil incluem a lipoaspiração, o aumento de mama, a abdominoplastia e a rinoplastia, entre outras. Esses procedimentos prometem corrigir imperfeições, remodelar o corpo e proporcionar uma aparência mais jovem e atraente. Para o cirurgião plástico, Dr. Diego Campelo, existem alguns fatores que influenciam a escolha dos pacientes em determinados procedimentos estéticos. “As cirurgias mais comuns são as cirurgias mamárias e de contorno corporal (abdominoplastia e lipoaspiração). Creio que esta predominância deve-se ao que é mais comum na vida da maioria das pessoas, aumentos e perdas de peso ou gravidez” , comenta o cirurgião plástico, Dr. Diego Campelo, de 40 anos.

A autoestima também é um aspecto fundamental da saúde mental e bem-estar emocional de uma pessoa. Para muitos, a decisão de realizar um procedimento estético ou cirurgia plástica vai além da busca pela beleza física; trata-se de uma jornada de autoaceitação e empoderamento. Ao alcançar os resultados desejados, muitos indivíduos experimentam um aumento significativo na confiança e na satisfação pessoal. A transformação física muitas vezes se traduz em uma transformação interna, permitindo que as pessoas se sintam mais seguras em frente ao espelho e felizes em sua própria pele. Essa elevação na autoestima pode ter impactos positivos em diversos aspectos da vida, desde relacionamentos interpessoais até desempenho profissional, destacando o poder transformador e emancipatório que os procedimentos estéticos e cirurgias podem proporcionar. Para a enfermeira e instrumentadora cirúrgica, Carla Santana, de 44 anos, o nariz tem um papel fundamental na beleza do rosto. “A rinoplastia impactou muito na minha autoestima pois, na minha concepção, o nariz ele embeleza muito nosso rosto. A face é a parte do corpo que tem suas belezas com os olhos, com a testa o queixo e um nariz com harmonia tem seu valor”, assim diz instrumentadora cirúrgica, Carla Santana, que passou por uma intervenção cirúrgica no nariz e se sente satisfeita com o aumento da autoconfiança. 

Além da autoestima, um dos principais obstáculos para o sucesso de uma cirurgia está relacionado à segurança dos procedimentos é a ausência de regulamentação apropriada e a disseminação de clínicas clandestinas que podem expor os pacientes a riscos graves, incluindo infecções, complicações médicas e até mesmo fatalidades levando à morte. Além disso, a pressão por padrões de beleza inatingíveis que a sociedade tenta impor pode criar expectativas irrealistas por parte dos pacientes, aumentando a probabilidade de desapontamentos pós-cirúrgicos e problemas psicológicos.

Outra questão crucial a se debater é o acesso igualitário aos procedimentos. Enquanto alguns indivíduos têm recursos financeiros para pagar por cirurgias plásticas em clínicas conceituadas, outros enfrentam barreiras econômicas que os impedem de realizar seus desejos estéticos, visto que o custo vai além da cirurgia e envolvem remédios após a intervenção cirúrgica. Isso levanta preocupações sobre a igualdade de acesso à saúde e destaca as disparidades socioeconômicas existentes na sociedade brasileira. Além disso, a falta de preparação psicológica e emocional dos pacientes antes das cirurgias também é uma preocupação. Muitos procuram esses procedimentos como uma solução rápida para problemas de autoestima e imagem corporal, sem compreender completamente os riscos e as implicações envolvidas. 

O suporte psicológico pré e pós-operatório pode desempenhar um papel crucial nos resultados positivos e na prevenção de consequências adversas para a saúde mental dos pacientes. Já para Andréa Curty, de 49 anos, que realizou mastopexia com prótese mamária e abdominoplastia, comenta sobre como foi a sua recuperação. “Bom, sempre quando falam em cirurgia já ficamos tensos. É muito importante também a escolha de um bom profissional. No entanto, sobre o processo de recuperação foi bastante difícil, existem algumas regras a ser cumpridas, como: dois meses dormindo de barriga para cima, coloquei dreno, e  por 10 dias tinha que retirar o líquido todos os dias, andar pela casa o tempo todo para evitar trombose, inchaço na barriga que incomodava muito”, afirma Andréa Curty. 

Outro procedimento estético que tem conquistado crescente popularidade no Brasil é a harmonização facial. Este tratamento abrange uma série de técnicas destinadas a promover um equilíbrio estético e simétrico nas características faciais de uma pessoa. Desde o contorno do rosto até o realce de áreas específicas como maçãs do rosto, queixo e lábios, a harmonização facial busca criar uma aparência mais harmônica e rejuvenescida. O procedimento de harmonização facial pode incluir uma variedade de técnicas, tais como preenchimento com ácido hialurônico, toxina botulínica, fios de sustentação e outros métodos minimamente invasivos. Segundo a jovem Kaylane Rodrigues, de 21 anos, conta que optou pela harmonização  por ser um procedimento menos invasivo em relação à cirurgia. “O procedimento que realizei em meu rosto foi a perfiloplastia, optei pelo fato da minha autoestima mesmo, tinha coisas que me incomodavam. E sim, uma cirurgia não se compara, porque o meu procedimento preciso retocar ele a cada um ano e meio, e já a cirurgia é bem mais cara e tenho medo dos riscos que podem causar” , relata Kaylane Rodrigues.

A busca pela beleza e pela autoconfiança não deve ser encarada como uma solução rápida, mas sim como um processo que demanda reflexão, acompanhamento profissional e cuidado com a saúde física e mental. Priorizar a saúde e o bem-estar é fundamental, tanto antes quanto depois de uma intervenção estética. Portanto, ao considerar uma cirurgia plástica, é importante buscar informações, consultar profissionais qualificados e estar ciente dos riscos e benefícios envolvidos. O equilíbrio entre a busca pela aparência desejada e o cuidado com o próprio corpo é essencial para uma jornada de auto aperfeiçoamento saudável e satisfatória.

Júlia Gabriela – 6º Período

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