“Pele”, dirigido por Marcos Pimentel (Fé e Fúria), entra no circuito de cinemas brasileiros com as credenciais de ter sido selecionado por festivais notórios como o IDFA (Festival Internacional de Documentários de Amsterdã) e o Festival É Tudo Verdade, um evento cinematográfico voltado exclusivamente para a cultura do documentário na América do Sul. O documentário propõe um olhar para os grafites, pichações e murais de grandes metrópoles brasileiras.

Foto: Divulgação
Diversas mensagens, códigos e comunicações específicas em paredes, muros, casas e prédios estão presentes nos grandes centros urbanos. Muitas vezes essas linguagens passam batidas ou pouco interpretadas. “Pele” traz uma comunicação direta entre a arte e o receptor, mostrando a variedade de transmissões nos ambientes da esfera pública.
Marcos Pimentel, com frequência, aborda um estilo menos usual em filmes documentais, mas bastante utilizado que é um modelo observativo, onde o realizador faz intervenções mínimas e larga a mão de entrevistas e registra os indivíduos com uma certa distância, é um estilo, portanto, que exige atenção do espectador para compreender os rumos tomados pelo longa-metragem. A estrutura deste projeto exige, portanto, um olhar sobre os grafites, pichações, os murais que estão distribuídos e de forma frequente o contato e a interação, mesmo que não intencional, dos transeuntes com esse olhar.
A ideia de conduzir o espectador para um olhar ampliado e semântico dessas manifestações urbanas, que são ainda mais latentes, pela escolha da direção em mostrar como essas obras refletem posicionamentos diretos sobre a nossa história recente, desde comentários sobre questões gerais que vão de comentários sobre os desdobramentos políticos e de governos recentes, até questões filosóficas e existenciais.
Entretanto, a repetição metódica de certos recursos e sensação geram um comprometimento do ritmo e da força do discurso, acentuadas pela transição pouco orgânica que também impactam a fluidez do discurso. A escolha do estilo para o tratamento de questões que envolvem expressões artísticas populares acabam neste contexto por promover um distanciamento entre a arte e o artista, na qual o público apenas observa sem compreender tanto o contexto e a humanidade por trás da obra, o que implica em uma certa frieza para algo vívido e tão presente nas nossas vidas.
A sonorização e mixagem são elementos usados para ampliar uma sensação de imersão e produzem efeitos e características que remetem algumas passeatas, protestos e reproduzem esses sons para acompanhar essas imagens, com efeitos ruidosos e estridentes que ajudam a embalar essa experiência de sentidos. Outro elemento primordial é a montagem, organizada de forma rítmica e sistemática para pontuar discursos, interações e momentos específicos.
“Pele” é um documentário que visibiliza questões importantes e negligenciadas que estimulam um pensamento crítico, mas pode ter o alcance comprometido com questões relativas à estrutura do filme. Distribuído pela Embaúba Filmes, o filme pode ser conferido nos cinemas a partir de quinta-feira (26/10). Assista ao trailer!
Márcio Weber – 3° período






Deixe um comentário