“Nostalgia” tem a direção assinada por Mario Martone e roteiro em parceria com Ippolita Di Majo. O longa foi indicado em nove categorias (entre elas, Melhor Ator, Melhor Diretor e Melhor Filme) do David di Donatello, prêmio da Academia Italiana de Cinema, além de ter sido exibido no Festival de Cannes em 2022.

Foto: Divulgação
Baseado no livro (de mesmo nome que o filme) de Ermanno Rea, a história retrata o retorno de Felice (Pierfrancesco Favino) ao lugar onde nasceu, Nápoles, para ajudar a mãe idosa depois de 40 anos longe. O local se transformou desde a última visita e o protagonista anda pelos lugares onde frequentava enquanto reencontra conhecidos, lembra de acontecimentos passados e reflete sobre as decisões tomadas quando ainda morava na Itália.
Devido ao longo período em que o personagem principal ficou afastado de seu país natal, os momentos em que há uma breve confusão linguística dão mais veracidade ao enredo, principalmente porque essas situações aconteceram no início do filme, quando Felice ainda estava se readaptando ao local. Além disso, o longa envolve temáticas que podem incomodar alguns espectadores, como assassinato, máfia e tráfico, onde as cenas de violência são descritivas. Ademais, também é abordado brevemente o impacto que a invalidez por idade tem no psicológico dos idosos, pois ficam dependentes de terceiros para realizar ações comuns do dia a dia que antes faziam com facilidade.
Em relação ao enquadramento, foram usados vários planos e ângulos diferentes, o que deu dinamismo ao filme; e as cenas do tempo presente e os flashbacks foram diferenciadas por proporções de tela desiguais. Por outro lado, a seriedade da trama é fortificada pela predominância de cores neutras e pelos momentos de baixa iluminação, que acrescentaram uma áurea mais “sombria” e não impediram a compreensão do longa. Já a sonorização foi bem produzida, com sons nos momentos certos e músicas condizentes com cada situação. Entretanto, em uma determinada situação, uma palavra tem grande importância na composição da cena, porém não é possível compreender seu significado por estar em outro idioma e não ter sido colocado uma legenda para informar ao espectador o que estava escrito. A revelação do que era aquela palavra só acontece quase 20 minutos depois dela ter aparecido pela primeira vez.
“Nostalgia” é um filme reflexivo sobre o passado e como ele influencia o crescimento de cada pessoa. O longa não é indicado para os espectadores que gostam de assistir apenas finais felizes devido a última cena ser desconcertante e amarga. Com distribuição da Pandora Filmes, o drama chega aos cinemas brasileiros no dia 5 de outubro. Assista ao trailer:
Juliana Vilete – 5° período






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