“Nardjes A.” acompanha um dia na vida de Nardjes, uma jovem ativista que batalha pela liberdade e democratização da Argélia. O dia gravado foi 8 de março de 2019, mais especificamente a terceira manifestação (de uma série de protestos que aconteciam todas as sextas-feiras) contra o 5° mandato do então presidente Bouteflika.

Foto: Divulgação

O filme tem a militante como a narradora, quem revela sua própria história e explica o motivo de estar lutando pelo que chama de “Argélia democratica”. Além disso, o documentário usa a ativista como base para dar norte ao enredo apesar do foco principal ser acompanhar a manifestação para derrubar o regime que silenciou os argelinos por décadas e contar um pouco da história da Argélia. O motivo que explica essa escolha é dar um direcionamento ao longa e impedir que ele se perca em meio a tantos acontecimentos.

Em um determinado momento, Nardjes revela acreditar que é o dever das gerações jovens continuarem a luta pela liberdade que as antigas começaram, a assumir esse papel e se fazer ouvir. E o filme deixa evidente que ela não é a única a pensar de tal maneira, pois mostrou que havia pessoas de diferentes idades no protesto (crianças, adultos, idosos e até mesmo um cachorro). A ativista também fala sobre o medo que os manifestantes sentem. Porque, mesmo acreditando que a ação deles está correta, participar de eventos assim é arriscado e há diversos casos de violência contra essas pessoas. Outro ponto abordado pelo longa é o cansaço mental que se apodera dos protestantes no final do dia e o desespero de saber se todos os amigos que também participaram estão bem.

Por as imagens terem sido feitas durante a manifestação (no meio de muitas pessoas), o documentário possui uma grande quantidade de cenas filmadas próximo das pessoas, da barriga pra cima. Ademais, há cenas gravadas do alto, que possibilitam a visão da grande multidão, e vários planos detalhes, que dão destaque a uma parte específica do rosto. O filme é bem iluminado com a luz natural devido a maior parte das filmagens terem sido realizadas durante o dia e ao ar livre. A sonorização é composta por sons típicos de manifestações, como buzinas, pessoas falando ao mesmo tempo, gritos e cantorias. Além das canções cantadas pelos militantes, há aquelas que foram colocadas na edição. A letras dessas condizem com os ideais dos ativistas e com os sentimentos da narradora (as melodias dialogam bem com o filme e dão um bom complemento).

Com estreia marcada para o dia 28 de setembro, “Nardjes A.” é um filme que, apesar de não possuir um enredo super elaborado, debate temáticas importantes que são atemporais, o que aumenta a importância social do documentário. Confira o trailler!


O longa foi filmado por Karim Aïnouz ao mesmo tempo que “Marinheiro das Montanhas”, cuja história é a viagem que o cineasta fez à Argélia para descobrir sobre sua família paterna, nativa do país. Os dois filmes chegam aos cinemas brasileiros no mesmo dia. Confira a crítica de Marinheiro das Montanhas:

Juliana Vilete – 5° período

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