Livros de romance são preferências do público da bienal

Um estudo realizado pela Universidade Emory, nos Estados Unidos, descobriu que ler afeta o cérebro da mesma forma que realmente alguém tenha vivenciado os eventos sobre os quais está na leitura. Por mais que os poetas por vezes afirmem que não é fácil falar sobre sentimentos, ler sobre eles é bem comum. A literatura sempre teve espaço para falar de emoções e suas consequências: Genji Monogatari, o primeiro romance do mundo, por exemplo, foi escrito em princípios do século XI. Ou seja, antes de existir a Catedral de Notre Dame (século XII), já existiam livros falando sobre saudade, amor e dor.

Na Bienal do Livro, o que não faltam são exemplares de romances por toda parte. Em cada pavilhão pode-se encontrar capas com rostos apaixonados e o gênero tem público cativo: “Eu adoro fanficar (ato de criar histórias fictícias). Minha vida é uma fanfic. Eu gosto de ler para acompanhar e ficar sonhando com a vida deles” diz Jean Alves, de 23 anos. O jovem já levava três exemplares na mão para a fila do caixa. Uma grande parte do motivo é a identificação com os personagens e poder fantasiar sobre a vida deles, segundo o rapaz.

O universo das fanfics, por si só, atesta o poder de lidar com os sentimentos. As histórias feitas por fãs ganharam força ao ponto de terem seu próprio ambiente na Bienal: A Pequena Livraria de Fanfics. Lá, Marianna Leão, autora vencedora do prêmio “P.S.: Escrevi, e agora?” com o livro Hater n°1, contou os motivos que levam os sentimentos a serem tão consumidos pelo público.

Ouça a opinião da escritora:


Bruna Paiva, autora de “Um diário para Alice” e “Enquanto o carnaval durar…” também apresentou razões para as obras sentimentalistas serem um sucesso para quase todos os públicos: “Acho que as pessoas gostam de saber que não estão sozinhas e que tem mais gente por aí sentindo e pensando como elas”, diz. A escritora completa ainda que os leitores frequentemente a procuram para dizer que se identificaram com a descrença no amor, com o gosto musical, e até com as diferentes inseguranças de seus personagens.

Os livros de poemas que falam sobre saudade, melancolia, dor e amores conturbados também fazem sucesso e geram filas nos estandes. Com vários livros na mão recém pagos, a jovem Ester Farias contou qual foi o livro que a fez se apaixonar pela leitura, confira:

A diversidade marca presença na mesma Bienal que em 2019 sofreu censura nos exemplares com temática LGBTQIA+. Este ano havia estandes repletos de livros falando sobre amor para todos os públicos. Mariana Alves, de 23 anos, leitora apaixonada por narrativas românticas, sinalizou o quão feliz estava de poder ver as gerações mais novas terem contato com esses livros: “Eu sempre gostei muito de romance. Uma coisa que eu to vendo muito presente hoje aqui são romances entre garotas e eu tô achando isso genial porque nas últimas bienais esse tema não era tão presente assim. Tá completamente diferente dessa vez. E são aqueles livros adolescentes que eu quando era uma adolescente bissexual não tive pra ler. E agora poder ver romances entre garotas adolescentes é muito significativorelata. 

Seja por identificação ou por apenas desejo de viver o que se passa dentro das histórias, o público segue fiel aos romances e às narrativas sentimentais. Às vezes clichês, às vezes revolucionários, mas nunca fora de moda.

Mariana Rangel – 2° Período

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