Editoras chegaram a superar em 100% as vendas da última edição
A Bienal do Livro comemora 40 anos em 2023, e após se tornar Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro, a edição carioca espera ser um ponto de retomada no mercado literário, deixando para trás os problemas de 2019 e 2021, quando a censura e pandemia do Covid-19, respectivamente, prejudicaram o principal evento literário do país.
O festival começou na sexta-feira (01/09) e deve contar com cerca de 380 autores, mais de 300 editoras, 80 encontros entre leitores e escritores e 200 horas de programação. Para o presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), Dante Cid, a edição de 2023 marca a volta de uma Bienal maior do que nunca: “Sem riscos a liberdade de expressão e sem riscos a saúde, por isso esta felicidade, recorde de público, recorde de venda e tudo tem sido maravilhoso”, afirmou Dante.
Com diversos fatores favoráveis, o mercado editorial começou aquecido no primeiro fim de semana do evento, isso porque no sábado (02/09), a Rocco quebrou dois recordes de uma só vez, porque a editora teve o maior faturamento em apenas um dia da Bienal, e teve um número de vendas 70% maior do que na edição do ano passado, que aconteceu em São Paulo, considerando apenas este dia. Quando comparados os 3 primeiros dias com a última edição carioca em que participou, no ano de 2019, o aumento sobe para 85% a mais de faturamento.
A coordenadora comercial da empresa, Cristiane Reis, citou o fim da pandemia do Covid-19 como um dos fatores para este fato: “A gente está muito surpreso com essa retomada. Durante a pandemia a galera comprou muito no online, mas cada vez mais essa movimentação influencia no físico, e as metas devem sempre ir aumentando”, afirmou ela.
O presidente do SNEL, Dante Cid, comentou sobre o atual momento do mercado editorial e a influência da Bienal do Livro na parte financeira:
A editora Sextante e Arqueiro obteve um aumento em 100% no número de vendas, se comparado com a edição de 2021, última realizada no Rio de Janeiro. Apenas de sexta-feira até o último domingo, foram cerca de 16 mil livros vendidos. Neyde Côrtes é diretora comercial da editora e se mostrou surpresa com o tamanho do público no sábado. “A gente imaginava que essa Bienal do Livro Rio teria um público maior, porque na anterior ainda estávamos na pandemia do Covid-19, então aumentamos o tamanho do nosso estande em 100m2 e colocamos mais caixas disponíveis, exatamente para atender a demanda”, afirmou. Neyde completou falando que o mercado editorial é sempre um momento de festa, alegria e esperança.
A estudante Maria Brum é uma fã dos gêneros terror e romances de época, e nesta edição da Bienal, comprou cerca de 18 livros de diferentes estilos, mas falou sobre suas preferências: “Eu curti muito os livros dos estandes da Globo e da Record, mas um escritor que tem o meu coração é o Rapahel Montes, recomendo pra todo mundo”, comentou a jovem. Hugo Costa começou a paixão pela literatura influenciado pela mãe, que é professora e sempre o trouxe para a Bienal em todas as edições, e hoje se tornou um grande fã dos livros de ficção. “De um tempo pra cá eu perdi o costume de ler, mas com os 9 livros que comprei hoje, pretendo voltar com este hábito”, comentou Hugo.
Apesar do número de vendas desta edição da Bienal, o Brasil ainda possui um déficit no mercado literário que pode ser explicado por dois fatores distintos: Uma demanda reprimida e uma restrição estrutural. “Uma demanda reprimida representa pessoas que poderiam acessar os livros, mas por algum empecilho não conseguem, podendo ser devido a falta de renda ou a falta de hábito”, afirma Mariana Bueno, economista da Nielsen Book Data. “Já a restrição estrutural corresponde a pessoas que não tem capacidade de leitura. Boa parte da população consegue ler artigos de jornal ou até mesmo livros mais simples, mas não tem capacidade de ler a grande massa dos livros, e isso não tem relação com classe e renda”, completou.
Durante a pandemia do covid-19, o preço do papel aumentou cerca de 80%, fazendo com que o custo para produzir um livro praticamente dobrasse de valor, chegando ao consumidor final com bem mais caro que o habitual. André Conti, editor da Todavia, comentou sobre o impacto midiático que a Bienal pode causar na população: Ouça no áudio abaixo:
Além das editoras citadas na matéria, outras também tiveram recordes de venda no primeiro fim de semana da Bienal. Confira:
. Instrínseca: Aumento de 100% nas vendas comparada com a Bienal do Livro 2021
. HarperCollins: Teve um faturamento 50% maior do que nas duas últimas edições do evento
. Record vendeu 120% a mais quando comparado com o ano de 2021
. Globo Livros cresceu 50% a mais do que na Bienal 2021 e 2022
O mercado editorial ainda deve ganhar novos números, afinal o evento acontece até o domingo, 10/09.
Igor Concolato – 4° período











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