Saiba como economizar tempo em meio de transporte alternativo na Barra da Tijuca e durante o percurso realizar um passeio ecológico

As balsas e táxi boat transitam pela Lagoa Marapendi, que fica situada na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. O Pantanal Carioca conta com a presença de uma bela fauna e flora, trazendo mais proximidade com os animais presentes na região, como jacarés, capivaras e aves de diversas espécies. Além disso, este meio fluvial possui uma grande vantagem para seus passageiros: fugir do trânsito da Barra da Tijuca, um dos grandes problemas do bairro.

No ano de 2006, os condomínios localizados ao redor da lagoa iniciaram o projeto de balsas para locomoção dos moradores em transporte fluvial sustentável para os pontos mais frequentados na Barra da Tijuca, por exemplo: A praia, o Barra Shopping e centros comerciais. Dessa forma, foi desenvolvido embarcações ecológicas otimizando o tempo e custo dos passageiros. 

Em 2017, com a chegada do metrô Jardim Oceanico na região, o transporte ganhou crescimento tanto de passageiros quanto de novos condutores autônomos. De tal maneira que não só moradores da região, mas funcionários de restaurantes, shoppings e turistas, também passaram a utilizar o serviço na intenção de economizar tempo e outros para apreciar a natureza presente no trajeto.  E com o aumento de comércios, bares e eventos na ilha mais conhecida do Pantanal, a Ilha da Gigoia trouxe mais valorização e retorno capital para os trabalhadores da região. 

A moradora e usuária frequente das balsas, Janaina Brum relata que é mais fácil a locomoção de seu local de trabalho até o condomínio que mora por meio da balsa. “O meu marido sai todos os dias e pega o barquinho do condomínio, então, ele não precisa nem pagar uber ou pegar o carro para ir ao metrô. A balsa é um ótimo meio de transporte para quem não quer ficar neste trânsito caótico da Barra da Tijuca”, diz Janaina. A empresária relata sobre a fácil locomoção, por possuir estabelecimento em um dos pontos da balsa. Sendo assim, é muito mais fácil a chegada até o local. Porém, aponta que a prefeitura deve cuidar melhor da lagoa, que se encontra poluída, pois muitos condomínios jogam o esgoto diretamente nela.

O ambientalista e biólogo, Roney Rodrigues reforça o quanto é importante preservar a beleza da Lagoa Marapendi. “Então, a conservação das lagoas é muito importante para o ecossistema porque elas impactam diretamente na fauna e flora do lugar”, e completa dizendo que os passageiros do meio aquaviário são os primeiros que devem tomar a iniciativa de cuidar do complexo lagunar.

Maristela Ribeiro. Residente da Barra da Tijuca desde a infância, narra que sua mãe a levava para passear na travessia da Lagoa para visitar outros amigos da família que moravam ao outro lado da ilha. “Embora a beleza ainda seja a mesma, o tráfego frequente das balsas causou mudanças na estrutura ao redor e é notável o descaso com a natureza, ao aguardar no píer você observa bastante lixo ao redor”. A moradora também reforça a importância que os passageiros precisam ter para preservar o ambiente.

Uma das empresas mais famosas para se realizar o passeio e conhecer mais sobre o Pantanal Carioca, é a Ecobalsas, oferecendo diversos tipos de pacotes, sendo um deles o Passeio Ecológico. Os turistas podem conhecer mais sobre a fauna e a flora do local. Além do mais, os condutores autônomos também oferecem serviços de turismo. Os mesmos, costumam ser os mais procurados por oferecerem um valor mais econômico e até mesmo, fornecendo transporte particular. A atividade de lazer tem o serviço variado entre R$35,00 a R$70,00, e um dos pontos do píer principais para estar conseguindo realizar o passeio, fica localizado na saída da lagoa do metrô Jardim Oceânico. 

A poluição presente na lagoa Marapendi

Trabalhadores e turistas são afetados diariamente com a poluição e descaso encontrados na lagoa

Um problema recorrente enfrentado pelo complexo lagunar da Barra da Tijuca é o esgoto jogado diretamente na lagoa. Fiscais da secretaria do Meio Ambiente, realizaram uma operação despejando um corante para descobrir o trajeto do esgoto. Dessa forma, diversos condomínios presentes ao redor do pantano foram multados no valor de 50 mil reais. Em Janeiro deste ano, centenas de peixes foram encontrados mortos nestas águas. O motivo: A falta de oxigenação decorrente da quantidade de esgoto jogado na Lagoa.

As gigogas, que são muito conhecidas na Lagoa Marapendi, são uma consequência desta poluição. Elas se proliferam em águas insalubres por esgotos domésticos e são responsáveis por despoluir e proteger a fauna e flora do local poluído. Porém, nem os vegetais estão sendo suficientes para combater tamanha sujidade que existe no local.

Os condutores das balsas que trafegam por este complexo lagunar enfrentam obstáculos e situações difíceis no dia a dia, e o Júnior Teixeira é um dos muitos que vivem esta situação. Além de ser contratado por uma rede privada, também trabalha como autônomo nas horas vagas. O trabalhador explica sobre a necessidade de melhora no estacionamento destas balsas, pois o modo como este veículo fica ao parar é perigoso para o desembarque dos passageiros, podendo causar um acidente. 

Outro ponto abordado é a forma com que a sujeira presente na água está prejudicando seu meio de trabalho. “A poluição está afetando a lagoa deixando ela rasa, pois o esgoto aumenta o nível da areia. Com isso, o meu táxi não consegue chegar a outros pontos e assim atender mais gente”. O condutor menciona também que precisa fazer uma limpeza específica em sua balsa, pois diversos resíduos de sujeira agarram no motor. Esta higienização custa em média R$250 reais e precisa ser feita quinzenalmente para que seu barco continue funcionando sem dificuldades.

A estudante Gabriela Mota informa como é a experiência de morar próximo a Lagoa Marapendi. A jovem cita que existem certos dias que o cheiro da água é bem intenso e às vezes opta por não levar visitas para sua residência, por conta da situação constrangedora. “É uma situação bem inconveniente, pois é um lugar que poderia ser bem cuidado. A gente acaba tendo que conviver com o cheiro desagradavel que vem da água”, explica a moradora.


De acordo com a geógrafa especializada em Meio Ambiente, Mariana Basilio, existem mudanças que ocorreram quando a ligação do canal de Sernambetiba e da Lagoa Marapendi foi reduzida por conta da urbanização. A especialista narra que após a criação da Avenida das Américas, o canal foi reduzido e assim, automaticamente, a lagoa foi desconectada dele, diminuindo drasticamente o fluxo de saída de água do complexo lagunar. Mariana também cita o principal problema da Lagoa Marapendi e a solução desta dificuldade. Confira no áudio abaixo:

A partir disso, o Governo do Estado do Rio de Janeiro, uma norma técnica foi assinada, este ano, pelo Governador Cláudio Castro para  desburocratizar  e agilizar a dragagem da lagoa. A estratégia é o Estado trabalhar junto com uma concessionária privada, com intenção de despoluir o complexo lagunar e assim facilitar a pesca, turismo e o transporte aquaviário da região. A Iguá, empresa privatizada responsável pelo projeto, investirá R$250 milhões de reais para realizar esta dragagem, além de também investir em plantações de CTS (coletores de tempo seco), que interceptam a chegada de esgoto na Lagoa Marapendi. Ao serem questionados, sobre o andamento da despoluição e quais dificuldades encontradas ao decorrer do trabalho, a Iguá não se pronunciou até o momento.

Isabella Pereira – 4° período 

Juliane Barbosa – 4° período 

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