Problema ambiental afeta ecossistema marinho e prejudica qualidade de vida de trabalhadores
Na Barra da Tijuca, um dos bairros mais privilegiados e conhecidos da cidade do Rio de Janeiro, a poluição das áreas aquáticas tem se tornado uma preocupação crescente. A falta de fiscalização adequada e uma estrutura de despejo de esgoto ineficiente têm resultado em uma séria degradação ambiental que afeta o ecossistema marinho e a qualidade de vida dos moradores locais.
A Barra com suas praias paradisíacas e lagoas encantadoras, costumava ser um refúgio natural e um local de lazer para turistas e cariocas. No entanto, nos últimos anos, as águas que antes eram cristalinas têm se transformado em um cenário de poluição e contaminação. De acordo com a professora de Biologia Dandara Sousa, um dos principais problemas está relacionado à falta de fiscalização dos pontos de despejo de esgoto. Muitas residências, condomínios e estabelecimentos comerciais ainda despejam seus resíduos diretamente nas águas sem qualquer tratamento prévio: “O derramamento indevido de esgoto causa o assoreamento das lagoas da região. Isso significa que as águas recebem um aporte muito maior de resíduos do que conseguem suportar, o que causa um desequilíbrio em toda a biodiversidade da região, podendo inclusive levar à extinção de espécies”, alerta.
Além dos impactos ambientais, a poluição nessas áreas também prejudica diretamente a qualidade de vida dos moradores. As águas poluídas se tornam impróprias para o banho, atividades náuticas e até mesmo para a pesca. Essa situação gera prejuízos econômicos para os negócios locais que dependem do turismo e do lazer na região.
“Vale citar também os malefícios que a poluição pode trazer a nós, desde o desconforto causado pelo mau cheiro das águas, até a impossibilidade de utilizar o meio como fonte de renda, por exemplo, pela pesca e turismo, e maior possibilidade de surgimento de doenças” ressalta a bióloga.
A poluição também impacta negativamente o ecossistema marinho. Os resíduos lançados nas águas contaminam a fauna e flora marinhas, comprometendo a biodiversidade e gerando um desequilíbrio ecológico. Espécies de peixes, crustáceos e aves aquáticas têm sido afetadas, prejudicando a cadeia alimentar e a reprodução dos animais. Naiara Rust, professora de Ciências Biológicas do Instituto Benjamin Constant, explica que o esgoto doméstico é rico em matéria orgânica e, portanto, aumenta a proliferação de algas e interfere na entrada da luz na água.
‘’A camada de alga na superfície diminui o processo de fotossíntese dos organismos, já que não chega mais luz até eles. Portanto, diminui a fotossíntese e aumenta o consumo de oxigênio pelos microrganismos. Assim, os peixes e outros seres vivos aquáticos começam a morrer por falta de O2’’, esclarece.
Insalubridade
Trabalhadores que atuam nas lagoas reclamam das condições de preservação do local
A falta de fiscalização efetiva por parte das autoridades é uma lacuna preocupante. A atuação dos órgãos responsáveis pelo controle ambiental e pela qualidade da água é fundamental para identificar, punir os infratores que poluem as áreas aquáticas e, principalmente, tentar reverter a situação. No entanto, quem trabalha nesses espaços relata não ver o trabalho do poder público. O marinheiro João Victor diz que a poluição afeta seu emprego de diversas formas, mas que presenciou somente uma vez o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) na Lagoa Marapendi, onde trabalha.
“O cheiro e o lixo que agarra no motor são fatores que prejudicam meu trabalho. Vi o Inea só quando teve uma mortalidade muito grande de peixe. Morreram 20 toneladas de peixes e o governo veio aqui ver e recolher água para ver qual era o motivo”, afirma.
O Instituto Estadual do Ambiente manifestou que “as lagoas que fazem parte do sistema lagunar de jacarepaguá (Camorim, Jacarepaguá, Tijuca e Marapendi) estão inseridas na rede de monitoramento sistemático do INEA, executado anualmente, e seu monitoramento é realizado bimestralmente.”
Para especialistas, além do dever das autoridades de fiscalizar, ações de conscientização e educação ambiental também são necessárias para que a população seja conscientizada e o poder público pressionado para tratamento e direcionamento adequado do esgoto, como reforça Dandara Sousa.
Lorhan Nascimento – 7° período
Marina Moura – 7° período
Vitor Barbosa – 5° período











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