“A noite do dia 12” é inspirado no livro de Pauline Guéna (que acompanhou por um ano uma equipe de polícia em Versalhes responsável por investigar crimes diversos) e narra a investigação do assassinado da Clara, que aconteceu na noite do dia 12 e se torna a obsessão do detetive de polícia Yohan (Bastien Bouillon). O longa foi dirigido por Dominik Moll (“Harry Chegou Para Ajudar”), que também assinou o roteiro ao lado de Gilles Marchand.

Foto: Divulgação
Para fazer o filme, além das descrições contidas no livro de Guená, Moll contou com a ajuda da polícia de Grenoble (que permitiu que o cineasta acompanhasse o trabalho deles de perto) para trazer maior realismo na caracterização dos personagens. O que torna ainda mais interessante a óbvia ausência de mulheres na equipe policial e levanta o questionamento sobre a falta do olhar feminino na investigação dos casos, sobretudo os que são contra mulheres, como o de Clara.
Outro ponto a destacar é que o drama mostra o lado humano dos policiais. No filme, eles não são apenas pessoas que examinam crimes; eles têm vidas pessoais que, às vezes, impactam o trabalho e, em outros casos, o trabalho impacta a vida pessoal. E, apesar de ter quase duas horas, o enredo foi bem elaborado e prende com sucesso a atenção do espectador.
Entretanto, essa não foi a única temática abordada no enredo. O longa também colocou em pauta os diversos motivos que podem fazer alguém cometer um crime, os relacionamentos tóxicos e a relação entre homens e mulheres, sobretudo o modo como as meninas são enxergadas pela ótica masculina (um exemplo é como algumas pessoas olham para a garota em busca de encontrar a culpa pelo feminicídio). Além disso, a narrativa abordou a importância dos cantores terem responsabilidade com a letra de suas músicas, pois podem inspirar as pessoas a agirem de modo diferente do normal, seja positiva ou negativamente.
Já em relação ao enquadramento, o filme não explora um plano específico. Há um balanceamento das cenas próximas de um objeto ou pessoa (permitindo uma melhor análise das pistas e expressões faciais) e das que são de longo alcance (dando uma ampla visão do local onde os personagens estão e possibilitando a observação dos movimentos corporais). Esses diferentes planos, e ângulos, usados aumentam o dinamismo do suspense.
A iluminação também é equilibrada. Muitos momentos acontecem à noite, por isso há lugares com foco de luz artificial enquanto outros são mais escuros, mas essa escuridão não chega ao ponto de não permitir a visualização do que está em cena, por isso ela dá realismo ao filme e não atrapalha a fluidez. E existem diversas cenas iluminadas pela luz solar, mesmo quando os personagens estão no interior de um local (nessas situações, a luz entra pela janela).
Quanto à sonorização, ela foi bem elaborada. As músicas estão colocadas nos momentos certos, e a trilha sonora de tensão misturada com alguns segundos de silêncio ajudam a contar a história e fazem o espectador ter uma imersão na história, sentir um pouco da mesma emoção que o personagem está sentindo
“A noite do dia 12” é um longa de investigação policial acerca de um feminicídio que faz refletir sobre diversas temáticas, principalmente em relação a forma como as mulheres são tratadas pela sociedade. Tendo ganhado seis prêmios (entre eles Melhor Filme e Melhor Diretor) na principal premiação do cinema francês, o César, e recebido outras quatro indicações, o drama com estreia nos cinemas brasileiros marcada para o dia 12 de julho tem um final decepcionante, apesar de ser condizente com a realidade. Assista ao trailler!
Juliana Vilete – 4ºperíodo






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