Evento debate a humanização nos tratamentos de pacientes

A importância de combater estigmas e preconceitos contra pessoas em sofrimento mental, pautou os assuntos tratados na última sexta-feira (26) na Universidade Veiga de Almeida, campus Barra. Oficinas de artes, músicas e mesas de debates buscaram trazer um novo olhar para o tema. 

O auditório da UVA Barra recebeu alunos e pessoas ligadas aos CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), CAPSi (Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil) e CAPSad (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas). Para a coordenadora do curso de Psicologia, Bárbara Carissimi, essa reunião e diversidade de vozes é importante na formação dos alunos. “Esse espaço comum faz com que eles mostrem a diferença que o tratamento tem na vidas deles”, afirmou. 

Um dos destaques da Luta Antimanicomial foi a parte musical com os grupos “harmonia enlouquece”, formado por integrantes do Centro Psiquiátrico Rio de Janeiro, e “os originais do Mussum”, que consiste em uma oficina de samba e pagode do CAPSad Antônio Carlos Mussum. O diretor do centro de atenção psicossocial Jardel Cruz é enfermeiro de formação, e hoje integra o grupo musical. “Os originais do Mussum” têm a funcionalidade terapêutica de trabalhar a música como arte no cuidado do cara que sofre com a dependência química. Ele troca o desejo pela droga pelo desejo de cantar, sorrir e sambar”, comentou Jardel. 

A 19ª luta antimanicomial contou também com expositores. A psicóloga Gilma Godinho, é dona da papelaria afetiva online “Psicanartes” e trouxe os materiais para o público. “Eu trago a psicanálise e a arte como um recurso para dialogar com profissionais da área”, explicou a empresária sobre o trabalho que desenvolve. Outro expositor foi o Ateliê Gaia, uma oficina da antiga colônia Juliano Moreira, que se localiza na zona oeste do Rio de Janeiro. O público conheceu quadros e camisetas. 

Existem vários caminhos possíveis para incluir as pessoas com sofrimento psíquico na sociedade, e um deles é através da arte. Essa foi a premissa de duas oficinas artísticas que contaram com atividades interativas, a “Viver com arte” e “Luta, afeto e arte”. A primeira, coordenada por Bianca Darski e Rosana Gomes, apresentou o impressionismo para os alunos: “O objetivo é ensinar aos alunos que a arte é um movimento livre que trabalha todo o seu inconsciente através de técnicas de cores e tipos de movimento, por exemplo. Pessoas que nunca pintaram na vida, saíram daqui com quatro lindos”, afirmou Bianca. 

Já a oficina “Luta, afeto e arte” foi ministrada pela estudante Ana de Sousa, que está cursando o 3° período da graduação de psicologia.O objetivo desta dinâmica era mostrar a diversidade através da arte: “Por mais que você dê o mesmo material, cada pessoa fez um desenho totalmente diferente do outro. Isso mostra que cada ser humano é único”, comentou Ana. 

A estudante Clara Amancio está no 1° período da graduação de psicologia e comentou que o evento abriu a sua visão para debates que ela nunca tinha pensado sobre as oficinas terapêuticas e a importância da arte no tratamento das pessoas com sofrimento psíquico. Confira no vídeo abaixo: 


Mayara Ferreira também está no 1° período do curso de Psicologia e chamou a atenção para a importância de escutar a visão das pessoas com sofrimento psíquico: “Para mim é muito interessante ver a visão deles, além da visão dos psicólogos para que possamos crescer como profissionais e como ser humano. Sair dessa alienação que vivemos constantemente”, completou a aluna. 

Um dos destaques do dia, foi a homenagem feita para a professora Aline Drummond, que é a idealizadora da Luta Antimanicomial no Campus Barra. A docente recebeu um vídeo com depoimentos dos alunos e fotos das edições anteriores do evento. Além disso, Aline comentou que o principal objetivo do projeto, é garantir que todas as pessoas tenham acesso a cuidados humanizados. Confira no áudio abaixo: 


Além disso, Aline destacou a participação de duas ex-alunas da UVA Barra na Luta Antimanicomial e a posição de destaque que elas ocupam no mercado profissional. Marina Melchiades é diretora do CAPS III Lima Barreto, e Luciana Medeiros é superintendente da rede de saúde mental da zona oeste do Rio de Janeiro. “Nosso curso de psicologia provocou e sustentou nessas alunas o desejo de trabalhar na área da saúde mental. Orgulho”, afirmou a docente. 

Igor Concolato – 3° período 

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